A Rússia anunciou que dará início, em setembro de 2025, aos primeiros testes clínicos em humanos de uma vacina projetada para combater o câncer, com foco inicial no melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. O projeto é conduzido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, conhecido pelo desenvolvimento da vacina Sputnik V contra a COVID-19, em parceria com instituições oncológicas de referência no país.
A nova tecnologia utiliza a mesma base científica das vacinas de mRNA, já aplicadas em larga escala contra infecções virais, mas adaptada ao combate de células tumorais. A diferença está na personalização: cada dose é desenvolvida de acordo com o perfil genético do tumor de cada paciente. Para isso, os cientistas recorrem a inteligência artificial, capaz de mapear mutações específicas e acelerar a criação de um modelo molecular individualizado.
O objetivo é treinar o sistema imunológico para reconhecer e destruir células cancerígenas, não apenas no tumor primário, mas também em eventuais focos metastáticos. Essa característica pode representar um avanço expressivo diante das limitações de terapias convencionais, que seguem protocolos padronizados e nem sempre conseguem evitar a progressão da doença.
A fase inicial dos ensaios clínicos vai avaliar três aspectos principais: segurança, resposta imunológica e eficácia da vacina.
O estudo será realizado com um grupo reduzido de pacientes diagnosticados com melanoma, permitindo monitoramento rigoroso dos resultados. Caso os dados confirmem o potencial indicado em pesquisas pré-clínicas, a tecnologia poderá ser expandida para testes com um número maior de voluntários.
O uso de vacinas personalizadas contra o câncer tem sido investigado em diferentes países, como Estados Unidos e membros da União Europeia. No entanto, o início dos testes em humanos na Rússia coloca o país entre os pioneiros na aplicação prática da estratégia especificamente para melanomas.
Segundo informações publicadas pelo O Hoje, os resultados da fase inicial devem ser divulgados após o acompanhamento clínico dos primeiros participantes. Se positivos, abrirão caminho para novas etapas e podem representar um marco no desenvolvimento de terapias oncológicas personalizadas.
