AO VIVO
Cotidiano

Uso de drogas faz jovens liderarem internações psiquiátricas no SUS

Faixa de 15 a 29 anos concentra mais de 260 mil internações por saúde mental entre 2022 e 2024, segundo levantamento da Fiocruz.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
08/12/25 às 09h34
Foto: Reprodução/Mario Anzuoni/Reuters

Homens e mulheres entre 15 e 29 anos lideram as internações por transtornos mentais no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para os casos ligados ao uso de drogas. Dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que a juventude respondeu por 262.606 internações relacionadas à saúde mental no período de 2022 a 2024, o que representa uma taxa de 579,5 casos por 100 mil habitantes.

Entre os homens, a situação é ainda mais alarmante: eles concentram 61,3% das internações nessa faixa etária, com uma taxa de 708,4 por 100 mil habitantes, 57% superior à registrada entre as mulheres. O principal fator associado às internações masculinas é o abuso de substâncias psicoativas, responsável por 38,4% dos casos, com predominância do uso combinado de diferentes drogas, presente em 68,7% dos registros. Na sequência aparecem internações relacionadas à cocaína (13,2%) e ao álcool (11,5%).

Considerando homens e mulheres, o estudo revela que dois grupos de transtornos concentram a maior parte dos atendimentos: os transtornos esquizofrênicos e o abuso de substâncias, ambos representando pouco mais de 30% das internações. Entre as mulheres jovens, os transtornos do humor, como depressão e ansiedade — lideram, correspondendo a 36,7% dos casos. A depressão, sozinha, aparece em 61% dessas internações.

O levantamento, que utilizou bases de dados do SUS e informações do Censo 2022 do IBGE, também mostrou que as taxas de internação aumentam conforme a idade avança dentro da juventude. Entre pessoas de 20 a 24 anos, o índice chega a 624,8 por 100 mil habitantes, subindo para 719,7 no grupo de 25 a 29 anos, ultrapassando inclusive as taxas registradas em faixas etárias acima dos 30 anos.

Outro ponto de preocupação é a baixa adesão dos jovens aos atendimentos de saúde mental na atenção primária. Apenas 11,3% dos atendimentos registrados nesse nível de cuidado envolvem demandas relacionadas à saúde mental, percentual inferior ao da população em geral, que chega a 24,3%. A Fiocruz aponta que estigmas em torno do sofrimento psíquico, desigualdades sociais, sobrecarga, vulnerabilidade social e acesso facilitado a substâncias contribuem para o agravamento do cenário.

A pesquisa também chama atenção para o risco de suicídio. Na faixa de 15 a 29 anos, a taxa é de 31,2 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional, que é de 24,7. Entre povos indígenas, a situação é ainda mais crítica, com taxa de 62,7 por 100 mil habitantes. O índice chega a 107,9 entre homens indígenas de 20 a 24 anos, o maior registrado.

Segundo o estudo, sintomas persistentes de tristeza, alterações bruscas de comportamento e uso diário de substâncias são sinais de alerta e devem ser levados a sério. Em casos graves de depressão ou risco de suicídio, a internação hospitalar pode ser necessária. Já nos quadros de dependência química, o tratamento ambulatorial com acompanhamento contínuo tende a apresentar melhores resultados do que internações involuntárias, que mostraram baixa efetividade quando não há continuidade do cuidado após a alta.

O levantamento reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à saúde mental na juventude, ampliando o acesso à prevenção, acolhimento e tratamento adequado, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.

 

Com informações de Campo Grande News.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.