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Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de infarto e AVC, aponta estudo global

Meta-análise internacional indica queda de até 18% nos eventos cardiovasculares.

Da Relação - Hojemais Três Lagoas
29/08/25 às 15h22
Foto: Reprodução

Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia (ESC 2025), em Madri, revelou que a vacinação contra o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, pode estar associada à redução do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa analisou dados de quase vinte anos de acompanhamento e mostrou que pessoas vacinadas tiveram até 18% menos eventos cardiovasculares quando comparadas às não vacinadas. Entre indivíduos acima de 50 anos, a redução observada foi de 16%.

A meta-análise reuniu 19 trabalhos científicos de diferentes países, incluindo ensaios clínicos e estudos observacionais, e calculou que a cada mil pessoas imunizadas, de um a dois casos de infarto ou AVC deixam de ocorrer por ano.

Os resultados reforçam a hipótese de que a proteção contra doenças virais pode trazer benefícios adicionais além da prevenção da própria infecção, já que o processo inflamatório desencadeado por vírus como o herpes-zóster tem potencial para desestabilizar placas de gordura nas artérias e aumentar o risco de complicações graves no coração e no cérebro.

No Brasil, a vacina contra o zóster está disponível apenas na rede privada. A recomendação atual é que seja aplicada rotineiramente a partir dos 50 anos, mas também pode ser indicada a partir dos 18 anos para pessoas imunocomprometidas, como transplantados e pacientes em uso de medicamentos imunossupressores. Ainda não há previsão de inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas especialistas apontam que, caso seja incorporada, deve começar a ser distribuída aos grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com baixa imunidade.

As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo, responsáveis por mais de 3 milhões de óbitos anuais, segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia. O consenso clínico publicado em 2025 pela entidade reforça a ideia de que as vacinas devem ser consideradas parte estratégica da prevenção cardiovascular, ao lado de tratamentos contra hipertensão, colesterol e diabetes.

Embora os novos dados sejam promissores, ainda não é possível confirmar uma relação de causa e efeito entre a vacinação contra o herpes-zóster e a queda de infartos e AVCs, já que a maioria das evidências disponíveis vem de estudos observacionais.

 

Com informações de g1.

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