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Volta às aulas sem celular: impacto psicológico na vida dos estudantes

Fim do celular nas escolas! Como os estudantes estão reagindo?

Da redação  - Hojemais Três Lagoas 
18/02/25 às 10h40
Imagem: Governo Estadual de MS

Com a volta às aulas na rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul, que ocorreu nesta segunda-feira (17), estudantes se depararam com uma nova realidade: o período letivo sem celular. A proibição foi estabelecida pela Lei nº 15.100/2025, impedindo o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula, recreio ou intervalos entre as aulas, abrangendo todas as etapas da educação básica.

Professora Dra. Raquel Silva Barreto, do curso de Psicologia da UFMS em Paranaíba

A medida, no entanto, pode trazer implicações psicológicas, já que o celular tornou-se parte essencial da rotina de crianças e adolescentes. A professora Dra. Raquel Silva Barreto, do curso de Psicologia da UFMS em Paranaíba, explica que a retirada do dispositivo pode gerar impactos imediatos no comportamento dos estudantes. “Nessa primeira etapa, os estudantes podem apresentar níveis maiores de ansiedade, desatenção e até mesmo agressividade” , destaca.

Diante da ausência do aparelho, a especialista recomenda que a escola, os pais e os responsáveis busquem formas de incentivar laços sociais mais saudáveis. "O celular muitas vezes atua como facilitador social, e, sem ele, é necessário criar oportunidades para que os estudantes desenvolvam outras formas de interação" , afirma a professora. Ela reforça que, com o tempo, a tendência é a adaptação, mas alerta: “Se persistirem comportamentos que possam trazer prejuízos para si mesmos, para os outros alunos, professores ou familiares, é necessário buscar ajuda especializada” .

A proibição também reforça os malefícios do uso excessivo das tecnologias. Segundo a psicóloga, “além de comprometer o desenvolvimento cognitivo, os celulares reduzem a atenção, geram superestimulação e fragmentam o convívio social” . Contudo, ela ressalta que o problema não está na tecnologia em si, mas no uso inadequado. "As tecnologias devem nos auxiliar. O importante é compreendermos que dominamos esses dispositivos, e não o contrário. Quando a tecnologia passa a influenciar negativamente nossa percepção da realidade, é hora de reavaliar seu uso" .

A ansiedade associada à proibição do celular também se soma ao nervosismo natural da volta às aulas. Barreto explica que o retorno à rotina pode ser um fator desencadeador de estresse em crianças e adolescentes, principalmente devido às exigências escolares e familiares. Como forma de amenizar esse impacto, a especialista destaca a importância do diálogo entre pais e filhos. "Conversar é o primeiro passo para entender as dificuldades e buscar soluções. Depois do diálogo, vêm as negociações e o suporte para reduzir os fatores de sobrecarga" , orienta.

Ela também destaca o papel fundamental do psicólogo escolar. "Hoje, a legislação obriga as escolas a terem pelo menos um profissional da Psicologia. Esse profissional pode ajudar a fortalecer a autoestima dos alunos, melhorar as relações interpessoais e transformar a escola em um ambiente mais pacífico" . Além disso, segundo Barreto, o psicólogo pode atuar na prevenção e promoção da saúde mental, abordando questões como o vício em celulares e os riscos dos cigarros eletrônicos. "As atribuições do psicólogo na escola são muitas e devem ser adaptadas às necessidades específicas de cada instituição" , conclui.

A mudança na rotina escolar com a proibição dos celulares trará desafios, mas também oportunidades de aprendizado e crescimento para os estudantes. Com o suporte adequado das escolas e famílias, a adaptação pode se tornar um processo mais tranquilo e benéfico para todos os envolvidos.

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