A 24ª edição do Prêmio Grande Otelo consagrou Ainda Estou Aqui como o grande vencedor da noite, na noite de quarta-feira (30), em cerimônia realizada na Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro. O longa-metragem dirigido por Walter Salles levou os principais prêmios da Academia Brasileira de Cinema, consolidando sua importância no cenário audiovisual brasileiro.
Com uma narrativa sensível e potente sobre a trajetória de Eunice Paiva, o filme arrebatou a crítica e o público, sendo premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Trilha Sonora, além de reconhecer as atuações de Selton Mello e Fernanda Torres. A trilha, assinada pelo músico americano Warren Ellis, foi elogiada por sua delicadeza e profundidade, refletindo a resistência e o silêncio eloquente da protagonista.
A cerimônia, comandada pelas atrizes Isabel Fillardis e Bárbara Paz, foi marcada por homenagens ao cinema nacional e à memória de grandes nomes da história do audiovisual brasileiro, com destaque para performances musicais que relembraram clássicos como O Que É Que a Baiana Tem? , Bye Bye Brasil e É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo , esta última eternizada na trilha de Ainda Estou Aqui .
O ator Selton Mello recebeu sua primeira estatueta na premiação por sua atuação como Rubens Paiva, enquanto Fernanda Torres foi reconhecida pelo papel de Eunice Paiva, personagem que incorporou por dois anos durante o processo de filmagem. Ambos emocionaram a plateia ao falarem sobre a intensidade da experiência e a conexão com os personagens históricos.
Outros destaques da noite foram os filmes Arca de Noé e 3 Obás de Xangô , ambos dirigidos por Sérgio Machado, que conquistaram os prêmios de Melhor Longa de Animação e Melhor Documentário, respectivamente. Fernando Fraiha levou o troféu de Melhor Longa Infantil por Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa , reforçando a importância do cinema voltado ao público infantojuvenil.
Um dos momentos mais marcantes foi protagonizado pelo ator mirim Isaac Amendoim, que subiu ao palco para agradecer emocionado pelo reconhecimento recebido. Sua presença simbolizou a renovação de talentos e o futuro promissor do cinema nacional.
Na reta final da premiação, Walter Salles foi novamente chamado ao palco para receber o prêmio de Melhor Direção e, em seguida, o de Melhor Filme. Ao lado do elenco e equipe, celebrou a conquista e destacou o trabalho coletivo que permitiu ao filme "levantar voo", dedicando o prêmio ao crítico e pensador de cinema José Carlos Avellar, falecido em 2016.
A noite celebrou não apenas a excelência artística do cinema brasileiro, mas também sua capacidade de contar histórias profundas e necessárias, como a de Ainda Estou Aqui , reafirmando a força e a resistência da produção nacional diante dos desafios contemporâneos.
