O Move Brasil já aprovou R$ 45 milhões em financiamentos para 437 clientes de Mato Grosso do Sul , conforme dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa oferece condições especiais para profissionais que utilizam veículos como ferramenta de trabalho.
Do total liberado no Estado, R$ 40,1 milhões foram destinados a motoristas de aplicativos e outros R$ 4,9 milhões a taxistas . Entre as operações realizadas, R$ 5,3 milhões foram direcionados especificamente a mulheres que trabalham nessas atividades.
O programa foi recentemente transformado em uma política permanente e permite o financiamento de carros novos de até R$ 200 mil , incluindo modelos elétricos, híbridos e flex. O prazo pode chegar a 84 meses .
Banco do Brasil concentra mais de R$ 31 milhões em MS
Entre as instituições procuradas pelo Campo Grande News, o Banco do Brasil concentra uma parcela significativa das operações realizadas em Mato Grosso do Sul. Já foram R$ 31,8 milhões em negócios para mais de 300 clientes .
Segundo a instituição, a análise considera a capacidade de pagamento e a renda comprovada pelo interessado, inclusive documentos e comprovantes fornecidos pelas plataformas digitais de transporte de passageiros e mercadorias. Também são avaliados critérios internos relacionados ao perfil, histórico e comportamento financeiro.
A Caixa Econômica Federal, Sicredi e Sicoob não responderam sobre a quantidade de participantes atendidos pelo programa em Mato Grosso do Sul.
Motorista troca Kwid por carro elétrico
Uma das beneficiárias é Kátia Cardoso, de 47 anos , motorista de aplicativo que decidiu substituir o carro utilizado diariamente por um modelo elétrico.
Ela iniciou o processo antes de 25 de agosto e adquiriu um BYD Mini, no valor de R$ 109.990 à vista , pelo Move Brasil. Segundo Kátia, a compra foi viabilizada com financiamento de 100% e juros de 0,90%.
As primeiras parcelas, entre novembro e fevereiro, ficarão em R$ 1.005 . A partir de março do próximo ano, o pagamento passará para R$ 2.207 . Ela ainda aguarda a entrega do veículo.
De acordo com a motorista, existe ainda uma parceria entre Banco do Brasil e Uber. Parte do valor das prestações será diluída e, a partir da 12ª parcela, ela deverá receber valores de volta pelo aplicativo, totalizando R$ 7,5 mil , quando atingir o equivalente a 3,5 parcelas.
Economia pesou na escolha pelo elétrico
Atualmente, Kátia utiliza um Kwid e calcula gastar aproximadamente R$ 4 mil por mês , considerando prestação, gasolina, seguro e manutenção.
“Eu gasto praticamente R$ 4 mil, com a parcela, gasolina e seguro. Só a parcela é R$ 1,7 mil, fora a manutenção. Se eu fosse comprar um BYD fora do programa, sairia uma parcela de R$ 3,9 mil. Fora do programa, o elétrico não cabia no meu bolso. Já ajudou muito, praticamente a metade do valor”, destacou.
A motorista também espera economizar no abastecimento. A previsão é fazer quatro recargas por semana , ao custo aproximado de R$ 150 semanais .
“A cada R$ 35 que eu abastecer, vou rodar um dia e meio. Eu vou gastar R$ 3 mil junto com o seguro, a parcela e a gasolina”, comemorou.
Kátia trabalha de segunda a sexta-feira e inicia a jornada entre 4h30 e 5h . A renda bruta mensal, segundo ela, varia entre R$ 7 mil e R$ 8 mil .
Associação aponta redução de custos
Para o presidente da Applic-MS (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul) , Paulo Pinheiro, comprar o próprio veículo pode reduzir significativamente os gastos mensais dos profissionais, principalmente quando comparado ao aluguel.
Ele também destaca a economia proporcionada pelos veículos elétricos.
“Economia é de 70% para quem tem carro elétrico, porque praticamente não vai gastar combustível. Vai ter que só colocar carga, que nem celular. O aluguel vai economizar em torno de 40% de aluguel. Está adquirindo o bem, porque o aluguel é um dinheiro sem volta”, comentou.
Move Brasil passa a ser permanente
O Programa BNDES Move Motoristas , inicialmente temporário, passou a integrar de forma permanente a política de apoio aos profissionais de transporte. A legislação sancionada em setembro garantiu a continuidade do Move Brasil e manteve condições especiais de financiamento.
Motoristas de aplicativo podem participar após cumprir os requisitos de cadastro ativo e quantidade mínima de corridas previstos pelo programa. Para carros, o limite de financiamento chega a R$ 200 mil , com pagamento em até 84 parcelas . Taxistas precisam manter licenças e registros ativos e regularidade fiscal.
As taxas definidas para a modalidade são de até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres , já considerando spread e taxas bancárias.
O programa contempla veículos novos e inclui modelos elétricos, híbridos e flex , ampliando as opções para profissionais que pretendem renovar o automóvel utilizado no trabalho.
