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Sorgo cresce na safrinha de MS e se consolida como aposta estratégica para o agronegócio

Área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil para quase 400 mil hectares em cinco safras, impulsionada pela demanda das usinas de etanol.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
16/01/26 às 07h52
Foto: Reprodução/Semadesc

O sorgo vem ganhando protagonismo na segunda safra em Mato Grosso do Sul e deixou de ser apenas uma alternativa emergencial para se tornar uma cultura estratégica no planejamento agrícola do Estado. Em um intervalo de apenas cinco safras, a área cultivada passou de pouco mais de 5 mil hectares para cerca de 400 mil hectares, representando um crescimento superior a 7.700%, segundo dados do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (SIGA), ferramenta gerida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em parceria com a Aprosoja.

O avanço expressivo está diretamente associado à ampliação da demanda por matéria-prima para as usinas de etanol de milho instaladas no Estado, que passaram a incorporar o sorgo como alternativa viável na matriz produtiva. A existência de contratos de compra, maior previsibilidade de preços e estrutura de armazenagem contribuíram para reduzir riscos e ampliar a confiança dos produtores.

Levantamentos do SIGA indicam que a cultura começou a ganhar escala a partir da safra 2021/2022, quando passou a ocupar áreas maiores de forma consistente. Após ajustes naturais de mercado e adaptação produtiva, o crescimento voltou a se intensificar na safra 2024/2025, praticamente dobrando a área plantada em relação ao ciclo anterior.

Além da expansão territorial, o sorgo tem sido incorporado principalmente em regiões com janelas de plantio mais curtas após a colheita da soja, maior exposição a riscos climáticos e limitações para o cultivo do milho. Nesses cenários, a cultura funciona como ferramenta de gestão de risco, permitindo melhor aproveitamento do solo e maior estabilidade econômica para o produtor.

Na safra mais recente, aproximadamente metade de toda a área cultivada com sorgo de segunda safra em Mato Grosso do Sul concentrou-se em dez municípios, com destaque para Ponta Porã e Maracaju, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia. Esse recorte territorial reforça o papel da cultura em regiões onde o milho enfrenta maiores restrições produtivas.

Os dados do SIGA convergem com levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apontam o fortalecimento do sorgo ao longo da última década. A ferramenta estadual, no entanto, permite maior precisão na análise espacial e no acompanhamento da evolução por safra.

No cenário nacional, as projeções indicam que o Brasil deverá ultrapassar a marca de 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026 , com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores do país , conforme dados divulgados pela Conab em dezembro de 2025.

O desempenho do sorgo no Estado evidencia a integração entre produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo cadeias produtivas locais, ampliando o uso eficiente das áreas agrícolas e contribuindo para a diversificação econômica do agronegócio sul-mato-grossense.

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