* Por Jonir Pedro de Souza
Ela era morena escura, baixinha e fortinha, sempre trepada numa monareta vermelha, perambulava pelos quatro cantos da cidade.
Quando alguém ousava gritar seu apelido:
__Vai Maria Cenhão!
Pra quê? Ela vinha na iapa, corria atrás e agredia seus ofensores.
Por quê Maria Cenhão?
Vai saber.
Mas esse xingamento gratuito, provocava naquela mulher um enorme sofrimento, era a "sociedade" mostrando suas vísceras, o preconceito, o maxismo e a ignorância.
Mas Ela não se intimidava com isso não, Ela reagia violentamente àquele xingamento imediatamente, e as consequências eram muitas, Ela era valente e na sua razão, não tinha medo de ninguém.
Ela tinha problemas mentais, e quando a hostilizavam, sua doença aflorava em desordenada violência.
Frequentadora assídua do Mercadão, por conta desse deboche de chamarem_na de apelido, certa vez Ela reagiu agredindo um homem, e quando viu que levaria a pior, não teve dúvidas, puxou um "naife" e furou o bucho do indivíduo, que por pouco não foi pra "broca".
Maria Cenhão era uma boa pessoa, porém incompreendida, se Ela fosse tratada com respeito, Ela era educada, só não suportava provocação.
Uma criatura desde pequena explorada sexualmente, Maria teve um filho quando ainda era mocinha.
Como fiquei fora de Três Lagoas por alguns anos, não sei dizer que fim levou a lendária Maria Cenhão, uma mulher amargurada pelas circunstâncias que a vida lhe impôs, mas mesmo assim sabia retribuir com doçura a qualquer tratamento fraternal, que a colocasse como gente; mas que se tornava agressiva, com as pessoas sem nexo, que por bobeira, só para vê_la nervosa, a xingava de apelido.
Maria Cenhão é uma triste lembrança, de como a falta de empatia com as pessoas, pode tornar uma pessoa tão infeliz.
Significados de palavras usadas no texto:
*naife - o mesmo que faca.
*broca - cova do cemitério.
