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Acadêmicos de Medicina da UFMS criticam superlotação de turmas

Os discentes apoiam a iniciativa de ocupação, porém, apontam que o processo utilizado pela instituição, não é efetivo para o curso

Hojemais Três Lagoas - Dayane Milani
17/11/18 às 07h00
(Dayane Milani)

O Centro Acadêmico do curso de medicina Dercir Pedro de Oliveira, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Campus Três Lagoas, ao longo desta semana discutiu com a Reitoria da Universidade os mecanismos utilizados para o processo de ocupação das vagas remanescentes. Os discentes apoiam a iniciativa de ocupação, porém, apontam que o processo utilizado pela instituição, não é efetivo para o curso.

Segundo o Centro Acadêmico, o curso de Medicina da UFMS em Três Lagoas, é um curso jovem, com apenas quatro turmas. Como todo curso em formação, possuiu várias dificuldades no decorrer dos primeiros anos. Em consequência disso, houve grande evasão das duas primeiras turmas, acarretando importante número de vagas disponíveis.

Nesse contexto, a Pró-reitoria de Graduação lançou editais para preenchimento dessas vagas. Foram abertos dois editais para alunos de outros cursos de medicina, de diferentes instituições e, com isso, foi possível o preenchimento de algumas dessas vagas. Com o objetivo de preencher as vagas ainda remanescentes, a Pró-reitoria abriu novo edital, para discentes da própria UFMS de cursos da área de saúde -medicina, enfermagem, farmácia, odontologia, nutrição, educação física-. De acordo com os acadêmicos, como o curso de Medicina de Campo Grande é mais antigo, consolidado e possui quase nenhuma dificuldade, se comparado a Três Lagoas, nenhum aluno desse curso inscreveu-se para a transferência. Portanto, todos os inscritos foram de outros cursos citados.

Ainda segundo os acadêmicos todas as vagas foram preenchidas. O único critério utilizado foi o nível de rendimento dos alunos. Entretanto, como os acadêmicos desses cursos apresentam um currículo quase que totalmente incompatível com a Medicina, não conseguiram ocupar as vagas disponíveis das turmas mais avançadas e tiveram que começar do zero em turmas novas. “Isso gerou um grande problema, tendo em vista que as turmas mais novas não possuíam vagas de sobra e a transferência desses alunos acarretou na superlotação. Diante dessa circunstância, essas turmas sofrem com a incapacidade física dos laboratórios para aulas práticas e falta de docentes suficientes para supervisionar aulas em unidades de saúde, ambulatórios e hospital”, explica Leonardo Matsumoto, acadêmico do curso.

Para ele, apesar desse grande problema, foi especulado que a Pró-reitoria abrirá novamente um edital para movimentação interna, nos mesmos moldes. “Se esse edital for realmente aberto, já sabemos o resultado: haverá novamente a superlotação de turmas mais novas e as vagas realmente ociosas das turmas mais avançadas não serão preenchidas”, explica.

“Não é preciso dizer as consequências da má formação médica. Gostaríamos de manifestar nossa total indignação com essa atitude irresponsável e inconsequente da Pró-reitoria de Graduação e apelar à população e às autoridades com um pingo de responsabilidade que tomem providências contra esse fato”, finaliza.

Através de carta enviada ao Reitor Marcelo Augusto Santos Turine, o Centro Acadêmico critica o processo utilizado pela instituição para a ocupação das vagas remanescentes, e a incompatibilidade entre as grades curriculares geram a superlotação em turmas iniciantes, devido ao não reaproveitamento de disciplinas, é um dos pontos criticados.

Trechos da carta dizem: “Para que os futuros médicos possam ter uma formação condizente com padrões mínimos de qualidade e venham oferecer o melhor atendimento possível a comunidade, é necessário conhecimento prático adquirido nas Unidades Básicas de Saúde, assim como a pratica hospitalar em ambientes de baixa, média e alta complexidade. Em outro trecho diz: “Devido a superlotação a turma é dividida em vários subgrupos, limitando a quantidade de aulas e práticas as quais cada aluno tem acesso, o que inevitavelmente diminui a qualidade do ensino da matéria... Apesar do pequeno espaço físico são colocados de 7 a 14 alunos dentro de uma sala de Unidade Básica... No Hospital o cenário não é distinto, sendo essa superlotação um dos motivos pelo qual a turma 3, com 76 alunos, esteja sobrecarregada”.

Em outro trecho os acadêmicos continuam: “Essa problemática enfrentada por nós reflete a deficiência estrutural do Hospital Auxiliadora para a realização das atividades de práticas médicas, tendo em vista o fato dessa instituição não ter estrutura física ou recursos humanos suficientes para receber quatro turmas, sem comprometer a qualidade das atividades de ensino. Este cenário será agravado após a chegada de uma nova turma em 2019”.

Através de nota a UFMS informou: "O Reitor, professor Marcelo Turine, está acompanhando o Ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, que está em visita em Campo Grande e, no momento, não se manifestará sobre as questões dos estudantes do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul."

O que são vagas remanescentes

As vagas remanescentes são aquelas que não foram preenchidas pelos alunos que passaram no vestibular, mas não fizeram a matrícula; que sobram em cursos que não tiveram o número suficiente de aprovados; ou que vão surgindo ao longo dos semestres por desistência ou repetição e que podem ser usadas para transferência entre cursos e instituições.

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