Ele trocou o conforto da aposentadoria por um sonho: ser médico. Começou a cursar medicina em 2012, na primeira turma da Universidade Faceres - em São José do Rio Preto (SP). Em julho deste ano concluiu o curso. Mas, isto não significa que ele vá parar. “Sempre foi um sonho meu; porém, quando era jovem não tinha como pagar a mensalidade. Depois que me aposentei e formei meus filhos, porque não realizá-lo?” - diz.
Roberto José Medeiros começou a decidir sua história aos nove anos de idade, quando ingressou no seminário Camiliano - na cidade de Iomerê (SC) – pois, tinha consigo que seria padre; mas, não concluiu o ministério. Depois... Já com 11 anos e até os 17, foi escoteiro no grupo Pindorama – em Caçador (SC). Nascido em Joaçaba, interior de Santa Cataria, o jovem que queria ser médico serviu o Exército em Curitiba (PR) e aos 20 anos iniciou sua carreira na polícia civil do Paraná - após passar em um concurso. Como ele mesmo diz, este foi seu primeiro ‘degrauzinho’ na Polícia. Com 23 anos de idade foi aprovado em um novo concurso e subiu ao cargo de Detetive - foi superintendente de diversas delegacias.
Sempre inquieto Medeiros também não deixava de lado o sonho de ser médico. Ainda no início da sua trajetória, passou no vestibular para medicina em uma universidade particular; mas, como o curso era caro, teve de abrir mão; cursou direito e tornou-se advogado. Posteriormente, fez mestrado em direito penal e cidadania. Deu certo. Conseguiu se tornar delegado em Campo Grande (MS). Simultaneamente, concluiu sua pós-graduação em Direito Civil e Empresarial.
Em 1995 foi aprovado no primeiro concurso público promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e assumiu as funções de Tabelião e Oficial do Registro Civil da comarca de Rio Verde (MT). No segundo concurso foi aprovado e assumiu o Cartório de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, Pessoa Jurídica e Protestos de Ivinhema (MS) – ficou na cidade por cinco anos. Enquanto isso, concluía seu mestrado em Direito Processual Penal e Cidadania. Assumiu Três Lagoas em 2011 - onde está até hoje - como Tabelião de Notas e Protestos. Concurso o qual passou, novamente, em 1º lugar.
Enquanto isso tratou de educar e colaborar para a carreira dos filhos. Ele tem cinco. Uma filha é médica; um filho é advogado e outro é mestre em educação. Outras duas ainda estão na faculdade: uma estuda direito e a caçula cursa medicina. “Muitos me perguntam por que estudo tanto, se poderia estar pescando. Além de ser um sonho antigo, eu dou exemplo para meus filhos. O curso de medicina foi difícil e, como também cursei, não tem espaço para elas reclamarem” - brinca.
Entre muitos estudos e títulos: médico!
O caminho do delegado aposentado até a Faceres não foi fácil. Ele se aposentou em 2002 e estudou durante dez anos. “Fiz 38 vestibulares pelo Brasil afora. Todos os cursos que fiz me ensinaram que é preciso insistir. A experiência de vida e maturidade me ajudou muito. Também tenho uma boa condição física. Quero fazer especialização em medicina estética. Hoje, as pessoas gostam muito de cuidar da aparência” - afirmou.
*Esta e outras matéria na Revista Viver com Saúde, que nesta edição trabalha o tema 'O Brasil está evelhecendo'.