Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assumir a presidência do Brasil, o empresário três-lagoenses Enéas Martines dos Santos já notou o aumento da movimentação em sua loja. O empresário contou, com exclusividade ao jornal Hojemais que, desde a assinatura do decreto que flexibilizou a posse de armas no país, a procura pelo equipamento cresceu 80% em seu estabelecimento.
O assunto polêmico divide opiniões e o empresário explica que a flexibilização da lei não significa que as pessoas vão sair armadas nas ruas. A posse de arma dá ao cidadão o direito de possuir o equipamento em sua casa; mas, para que esta permissão seja concedida é necessário que o candidato atenda aos pré-requisitos e ainda passe por uma série de avaliações.
No Brasil, permanecem inalteradas as regras do porte de armas que permitem apenas que policiais e alguns comerciantes, que comprovem a movimentação de altos valores, andem armados. A avaliação e a concessão do benefício dependem da liberação da Polícia Federal e, de acordo com o empresário, o processo é burocrático e raramente o porte é concedido ao cidadão.
Aqueles que desejem comprar uma arma legalizada vão desembolsar, pelo menos, R$ 4.700,00 - valor de um revólver calibre 38, cano curto, com capacidade para cinco balas, mais o valor da documentação exigida para a liberação do equipamento.
Enéas explica que o candidato à posse de armas precisa ter idade superior aos 25 anos, não ter antecedentes criminais, ter residência fixa e comprovar ocupação lícita. Atendendo a estas exigências a pessoa é submetida à avaliação psicológica e, se aprovado, ainda precisa fazer uma prova objetiva que comprove o conhecimento da arma e depois realizar um teste de tiros; só assim o candidato é habilitado para comprar o equipamento.
Todo o processo dura cerca de 30 dias e só com a documentação em mãos que o empresário comunica a venda à Polícia Federal que emite uma guia de tráfego para ele transportar a arma da loja para a sua residência.
O empresário conta que seus clientes principais são os pecuaristas e agricultores; desde o início do ano já foram realizados 15 processos de documentação e compra de armas.