“Eu lembro exatamente como foi aquele dia. Estava retornando para casa, depois de fazer um teste na moto de um cliente e estava ansioso para voltar para casa e trocar os pneus da minha moto porque eu queria ir para um evento de motos na cidade de Araçatuba. Não imaginava o que poderia acontecer”.
Esse acidente causou um grave ferimento na perna direita de Natanael, que causou grande perda óssea, de nervos e tendão na região dos pés e da perna e também perdeu muito sangue.
Ele foi socorrido e levado ao Hospital Auxiliadora onde ficou por 18 dias internado e passou por vários procedimentos cirúrgicos.
Alguns dias depois de sair do hospital, Nael, como é conhecido pelos amigos e familiares, foi para Campo Grande, para fazer uma correção no ferimento. O procedimento seria uma tentativa de enxerto ósseo, mas não deu certo. Ele desistiu de fazer a cirurgia.
Quando enfim voltou para casa, começou a cuidar dos ferimentos. “O mau cheiro era muito forte. Só eu conseguia fazer o curativo porque doía muito”, relembrou.
Depois de 8 meses cuidando dos ferimentos que demoram para cicatrizar ele buscou por um médico no interior de São Paulo, para fazer o enxerto na perna que ficou deficiente. No início a alternativa foi um sucesso, entretanto foram 4 anos de persistência para melhor qualidade de vida, mas as dores não cessavam. “Coloquei platina, parafusos, nesse período minha perna encurtou. Salvei minha perna, mas ainda sentia muita dor e limitação”, contou.
Diante desse cenário, com quase 5 anos de luta contra as sequelas do acidente, Nael voltou a trabalhar, optou por não se aposentar por conta da deficiência e apesar de todas as dificuldades ele sempre persistiu em ter uma vida como a que levava antes do acidente, mas tudo mudou. “Eu não era mais o mesmo. Melhorei com meus pais, amigos, com minha saúde. Comecei a dar mais valor em tudo diante desse desafio que eu estava enfrentando desde o acidente”.
Dia após dia uma dor mais ou menos intensa o perturbava. Sessões de fisioterapia e equipes médicas faziam parte de sua rotina há anos e nada se resolvia. Além disso, uma outra situação ainda o perturbava. “Eu tinha um processo contra o condutor do veículo que me acidentou. Eu escolhi perdoar e foi a melhor coisa que fiz. Larguei mão de seguir com o processo e eu digo uma coisa: o perdão cura. Diante todas as dores que eu enfrentava, sequelas do acidente, depois que eu perdoei e me livrei dessa mágoa, que agravava ainda mais minha condição, muita coisa melhorou. Me fez caminhar e abriu portas em minha vida. Uma delas foi voltar para a igreja, onde nasci, cresci, fui músico e também cantava quando criança e adolescente”, pontuou.