Nos últimos dias, o medo e a desinformação sobre a Pandemia de Coronavírus fez com que muitas pessoas fossem correndo às farmacias comprar medicamentos que são utilizados no tratamento de lúpus, artrite reumatóide e malária.
São eles: Cloroquina e Hidroxicloroquina. Estudos recentes comprovaram eficacia desses medicamentos na diminução da contagem viral do Sars-Cov-2. O que as pessoas que compraram o medicamento de forma indiscriminada não sabem é dos efeitos colaterais da droga, além do prejuíso à saúde dos pacientes que fazem uso do medicamento.
Quem usa Reuquinol - Sulfato de Hidroxicloriquina -, para tratamento não está encontrando nas farmácias. Esses pacientes estão buscando por farmácias que manipulem a droga. O risco da compra e uso indiscriminado da droga é tanto, que para evitar que a população estoque o medicamento a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enquadrou as substâncias como remédios de controle especial. A partir de agora, os médicos terão que fazer a prescrição dessas substâncias em receita branca especial, em duas vias.
TRÊS LAGOAS
A reportagem do Hojemais conversou com duas três-lagoenses que fazem uso do medicamento para tratarem o Lúpus - doença inflamatória autoimune que se não tratada adequadamente, pode levar o paciente à morte. Uma delas não encontrou o remédio nas farmácias da cidade, a outra alerta para os riscos de usar a droga sem prescrição médica.
A engenheira civil, Carine Jesus Christovam, 26, ficou preocupada ao ser alertada por uma amiga médica da grande procura do medicamento nas farmácias e de imediato foi comprar, já que o seus comprimidos só davam para mais quatro dias. Ela chegou a pedir ajuda nas redes sociais, para conseguiur o remédio. "Não encontrei em nenhuma farmácia. Por sorte achei manipulado e consegui encomendar 60 comprimidos", contou.
Outras três pessoas da cidade, que também fazem uso do medicamento, procuraram Carine para pedir informações de onde poderiam manipular, já que não podem ficar sem o remédio.
Ela faz o uso da droga desde 2011 e faz exames regularmente para ficar atenta aos efeitos colaterais. "Essa droga é bem forte são 400 mg, então não é brincadeira. Tem que fazer o uso só quando for realmente necessário", alertou.
Outra três-lagoense que se preocupa com a compra indiscriminada do medicamento é Scarlett Bethânia Dias Santana, 28, gestora de RH, hoje afastada do trabalho, devido ao Lúpus. Ela usa o Sulfato de Hidroxicloriquina há 5 anos e deve usar pelo resto da vida. "Eu pego o meu medicamento todo mês no setor de alto custo, pelo governo. Mas me assusta muito saber que outros pacientes estejam preocupados em não conseguirem encontrar o remédio nas farmácias. Eu me coloco no lugar, já que com apenas dois dias sem o uso do remédio eu já começo a sentir os efeitos da doença, como articulações inchadas, inflamadas e muita dificuldade para me movimentar".
Scarllet ainda faz um alerta para que as pessoas que fizeram a compra do medicamento sem prescrição médica não faça uso. "O que as pessoas talvez não saibam é que esse remédio tem inúmeros efeitos colaterais. Podem causar cegueira, insuficiência respiratória. Nós que usamos ele no tratamento temos que fazer diversos exames de acompanhamento rotineiros. No meu caso eu preciso tomar antidepressivos para minimizar os efeitos psicóticos. Não é brincadeira", concluiu.
Bárbara fala da responsabilidade dos farmaceuticos (Foto: Reprodução/Faceebok)
A VOZ DOS PROFISSIONAIS
A farmaceutica Barbara Alves Carvalho, 22, explica que os farmaceuticos têm a responsabilidade de orientar sobre o uso do medicamento. O uso da cloroquina e hidroxicloroquina nos pacientes graves com coronavírus estão em fases de teste e ainda não dá para determinar a eficácia, segurança e riscos da droga nos pacientes. "São tempos difíceis, de incertezas. Não vamos deixar quem precisa do remédio sem. Isso é um crime. Sejam conscientes, é hora de pensarmos uns nos outros", pontuou.
USO APROVADO
Conforme uma matéria publicada na Agência Brasil, o ministério da Saúde pode autorizar, até terça-feira (24), a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina para casos graves de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. A declaração foi feita no sábado (21), pelo secretário executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis. Até lá, o ministério soltará uma nota com orientações sobre o uso dos medicamentos.
O secretário, no entanto, informou que a eventual liberação dos remédios terá caráter experimental e valerá apenas para pacientes internados em estado grave. Ele reiterou que os dois componentes têm efeitos colaterais fortes e não podem ser estocados para serem usados em caso de eventual gripe.
PRODUÇÃO DO MEDICAMENTO PARA TRATAMENTO DO CORONAVÍRUS
O presidente Jair Bolsonaro autorizou que o Exército amplie a produção dos medicamentos. A medida tem caráter preventivo no caso de um eventual aumento da demanda futura. No Brasil, o produto é fabricado em laboratórios privados, das Forças Armadas e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Em função da possibilidade da utilização para casos graves de coronavírus, estamos pensando na necessidade de ampliação da produção. É isso que o presidente autorizou: que o Exército possa ampliar a produção de medicamentos”, explicou.