A jovem mãe Natália da Cruz Costa Favaro, 27 anos, de Três Lagoas, é protagonista de uma bela história contada no blog 'Do Luto à Luta: Apoio à Perda Gestacional e Neonatal', que envolve luta, superação e principalmente vitória, ou resumidamente Maria Vitória.
Depois do casamento, o sonho em ser mãe aumentou no coração de Natália, no entanto, ela passou por difíceis momentos até a realização do sonho.
“Passei por um aborto espontâneo com 10 semanas de gestação, sangrei muito, tive contrações, e realizei o procedimento de curetagem, sendo essa primeira tentativa bem dolorida. Após 1 ano engravidei novamente… estava com muito medo, mas confiante… Com 15 semanas numa consulta de rotina não conseguimos escutar o coração do bebê, simplesmente não havia batimentos cardíacos. Outra perda. Aborto retido. Outra curetagem, outra dor, outra frustração … e o sentimento que achava que não poderia ser mãe”, recorda.
Depois de um ano e meio, ela e o marido resolveram tentar novamente. Natália realizou diversos exames e descobriu que sofria com a condição chamada ‘Trombofilia’, e também estava com a prolactina alterada, o que a impedia de engravidar e causava infertilidade.
Após dois meses fazendo o tratamento e tomando medicação, ela conseguiu engravidar de trigêmeas, as três Marias. “Meu desespero foi imenso, pois sabia que poderia não ser tão fácil. E ao mesmo tempo a felicidade tomou conta. Era Deus me devolvendo os dois que perdi e ainda me dando mais um para recompensar cada lágrima. Tudo caminhava bem, descobrimos que seriam três meninas. Maria Vitória, Maria Isadora e Maria Valentina”, relembra.
No ultrassom morfológico o mundo da mamãe ‘virou’. Foi constatado que duas das Marias, da mesma placenta, não estavam desenvolvendo tanto quanto a outra que estava sozinha.
“Ouvi com essas palavras que duas delas era caso perdido, e que eu corria risco de uma delas virem a óbito na barriga mesmo podendo prejudicar a que estava se desenvolvendo normalmente, e assim resolveram que o hospital era o melhor lugar para eu ficar, que quanto mais adiante levasse a gestação melhor seria”, conta.
Com 27 semanas ela teve uma hemorragia uterina e teve que ser levada às pressas para o centro cirúrgico. As trigêmeas nasceram no dia 17 de agosto de 2017. Vitória com 800 gramas e 34cm, Isadora com 440 gramas e 30cm e Valentina com 450 gramas e 30cm. Foram levadas para UTI imediatamente. “Passei todo esse período da gravidez escutando médicos falarem que elas viriam a óbito na barriga mesmo e com a graça de Deus nasceram vivas. Pudemos conhecer nossas 3 meninas”, destaca.
A esperança aumentava a cada dia, mas com quatro dias de vida, Isadora se foi. Na manhã seguinte, Valentina também faleceu.
“Não foi nada fácil pegar no colo quando já estavam sem vida, não foi nada fácil ter que sepultá-las. É uma dor imensurável. Foi um susto saber que está grávida de trigêmeos, mas após o susto o que prevalece é só amor. Queria muito estar com as três agora em meus braços”, diz.
Enquanto isso, Vitória continuava lutando na UTI, com sete dias de vida, a pequena passou por uma cirurgia. Foram 136 dias de UTI, 76 dias entubada, 13 transfusões de sangue, e Retinopatia - doença que pode causar cegueira -, porém a condição não avançou.
A bebê teve alta no final de dezembro, dia 29, ela foi para a casa com 2kg e fazendo uso de cilindro de oxigênio. Recentemente, com oito meses de vida, deixou de usar o cilindro, hoje, pesa 4.300kg e mede 58.5cm.
“Sou muito feliz e orgulhosa por ter a Maria Vitória aqui com a gente. Acredito que suas irmãs a mantiveram viva, nasceram para dar vida a ela. Confesso que passar por toda essa experiência me deixou com traumas, espero que com o tempo melhore! Ainda possuo medo de perder ela ou que algo ruim aconteça, e eu sinto tanto por não ter as três comigo, olho nos olhos da Maria Vitória e as imagino muito juntas. Nunca me esquecerei do rostinho delas, tão doces e delicadas”, desabafa.
“Ao mesmo tempo sou muito feliz por ter realizado meu sonho, independente de como foi, mas também ainda vivo em mim um luto enorme, do qual as vezes evito falar ou viver. Pois escuto muito a frase: “Pelo menos você ficou com uma”, e isso dói muito ouvir. Acredito que nenhum filho substitua o outro e que não importa quantas semanas de gestação ou quantas semanas de vida nossos pequenos tiveram… a dor é a mesma… a dor sempre vai existir”, finaliza.
Colaborou Danielle BritoCom informações Blog do Luto à Luta