Pastoral do Imigrante da Igreja Católica é atuante em Três Lagoas há pouco mais de dois, onde voluntários em nome do Bispo Dom Luiz Knupp da Diocese, ajudam vários haitianos que vêm a Três Lagoas a procura de emprego e melhor qualidade de vida para si e suas famílias.
A Professora Cristina Modesto, membro da Pastoral, concedeu entrevista à reportagem do Hojemais, onde conta melhor qual o trabalho dos voluntários, e os avanços que têm conseguido durante esses dois anos.
"Inicialmente nós fazíamos a renovação de passaporte, porque a grande dificuldade deles é o fato deles terem de ir pra Brasília fazer a renovação e era um gasto enorme. Quando eles não iam para lá, tinham pessoas da equipe deles que faziam, mas cobravam muito caro, então além da taxa ainda tinham outras despesas. Nós entramos em contato com a embaixada do Haiti, onde teve conversa, e o Bispo Dom Luiz Knupp montou uma equipe de voluntários para realizar a renovação", comentou Cristina.
Agora a única coisa que eles precisam fazer é pegar a taxa, que é de R$ 400 e outra de R$ 80. A parte da documentação é toda preenchida pelos voluntários e em seguida é enviada para a baixada do Haiti. O retorno demora seis meses, porque os documentos transitam de Três Lagoas para Brasília, em seguida para o Haiti e em então para Washington, e neste trajeto, muitas vezes falta algum material.
"A rotativa aqui é muito grande, muitos saem da cidade em busca de emprego, mas ao mesmo tempo chegam muito mais, porque a gente também faz muita carta aqui de reunião familiar quando eles querem trazer um pessoal da família", disse.
Na questão de saúde, Cristina afirma que o atendimento vem melhorando cada vez mais, principalmente nos Crase e em Assistência Social.
Os voluntários
"A equipe é grande, porque não é só as pessoas que vem até aqui; nós temos mais ou menos sete pessoas que se dividem nesses dias. Nós temos uma equipe por trás também, que nos ajuda, tudo que a gente precisa eles se dispõem, é bem grande", afirmou.
Sendo a pastoral do imigrante, é um órgão da igreja católica, mas quem é voluntário não tem de ser necessariamente católico, são pessoas que se dispõem a doar trabalho.
Os haitianos
"Este é um trabalho que nos deixa muito realizados, a gente faz de coração. É muito bom estar com esta comunidade haitiana, porque este é um povo batalhador, um povo alegre, eles nos realizam, eles são muito organizados, então a gente faz porque sentimos que eles merecem. São um povo que sofre por conta da pobreza, da falta de trabalho, os desastres. Então quando eles chegam aqui estão em busca de serviço, e também sofre preconceito. É uma realização muito grande quando nós podemos fazer alguma coisa pelo próximo", disse.
Cristina reforça que são pessoas muito responsáveis e trabalhadoras.
"A gente sabe que aqui eles trabalham e por muitas vezes não são reconhecidos pela capacidade que tem", disse.
Uma dos haitianos que são ajudados pela Pastoral é Myrtha Branchedor, já erradicada no Brasil e moradora de Três Lagoas há quatro anos e meio.
Myrtha conta em entrevista à reportagem que veio para Três Lagoas grávida, junto com seu marido, após os terremotos e as Guerras.
"Depois do terremoto nossa vida ficou difícil lá, ainda mais com a Guerra Civil, e a gente queria uma vida melhor. Ainda estamos na luta para conseguir uma vida melhor, mas eu vou conseguir, em nome de Jesus", disse.
Myrtha está a procura de emprego no momento, mas possui ensino completo, e pretende ainda fazer um curso de especialização.
"Eu tenho ensino completo, eu quero fazer um curso. Meu marido fez curso de máquinas, e eu quero fazer um também, arrumar um emprego", falou.
A haitiano é atendida pela Pastoral do imigrante desde que foi criado, e faz todos os documentos de sua família lá, e quando precisa visitar os familiares que ficaram por lá, é muito be atendida por eles.
Serviços
O atendimento é na quarta-feira de manhã das 8h às 11h, na quinta-feira à tarde das 15h às 19h e no sábado das 14h às 17h. A Pastoral fica na Rua Bom Jesus, número 270 e o telefone é 3522-1396.