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Idosos querem mesmo conhecer tudo: praia, neve, cultura e músicas

Setor de turismo tem aprimorado as ofertas, criado incentivos e se profissionalizado

Hojemais Três Lagoas - Dayane Milani
29/11/18 às 11h18
(Foto: Ilustrativa)

Não tem essa de idade quando o assunto é viajar. Aposentados, livres da maioria das preocupações e prontos para, finalmente, aproveitarem a vida, o importante agora é deixar o sofá de casa e conhecer o mundo. É exatamente isso que a terceira idade está fazendo. As viagens estão ganhando, cada vez mais, espaço na rotina deles.

A descoberta desse nicho tem provocado uma revolução nos fornecedores de serviços; com perspectiva de crescimento — estima-se que a população idosa chegue a 22% em 2050 - um número próximo a dois bilhões de pessoas. O setor de turismo tem aprimorado as ofertas, criado incentivos e se profissionalizado para atender às necessidades e cuidados que os mais experientes precisam.

A troca de informações, por exemplo, é um dos maiores estímulos às viagens - que sempre foi o principal hobby da terceira idade que, a princípio, prefere as pequenas excursões, viagens curtas e, depois, quando se sente mais segurança, o objetivo é desbravar o mundo.

As pessoas idosas que viajam, na maioria, são sozinhas - viúvas ou solteiras - que têm uma vida socioeconômica bem resolvida e não dependem de outros. Existem, também, os casais que viajam com seus companheiros; mas, sempre gostam de estar em grupos. Há, ainda, as pessoas que são casadas, mas o companheiro não gosta ou não está disponível para viajar.

A turismóloga - Lílian Falco - explica que foi o tempo em que os idosos só iam para lugares de piscinas termais, com bingo e bailinho à noite. Hoje, querem mesmo conhecer tudo: praia, neve, cultura, músicas. Antes, tinham medo do frio e, hoje, querem brincar na neve. Antes, era só piscina de água quente; agora, querem praia, passeio de bugue, forró e compras.

Para montar o cronograma das excursões, prefere colocar vários passeios, porque eles não gostam de curtir hotel - querem conhecer tudo o que o destino tem a oferecer. “Preparo tudo pensando nas possíveis limitações da idade e de locomoção. Sempre misturo natureza, cultura e boa culinária nos roteiros que preparo; penso no bem-estar e na comodidade deles” - diz.

Os idosos são uma parcela importante da sociedade, que quer viajar cada vez mais e precisa encontrar uma estrutura de turismo atenta às suas necessidades. Esse público merece um atendimento diferenciado e adequado.

A turismóloga destaca que, 68% dos seus clientes são idosos. “Muitos... Conheço desde que nasci; alguns são amigos dos meus avós e conhecem meus pais; outros... Conheci nesta profissão e me apaixonei por eles. Acredito que passo segurança. Amo estar na companhia deles; adoro ouvir suas histórias e aprender com seus ensinamentos” - comenta.

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(Foto: Ilustrativa)

Os agentes de turismo fazem o papel dos filhos, do amigo, do psicólogo e até de mãe. Lilian diz que fica sempre atenta se tudo está correndo bem com todos e procura ouvir as necessidades de cada um. “Das pessoas que viajam comigo sei muitas particularidades que só confiaram a mim e nunca me esqueço. Tenho cliente que me liga avisando que vai a tal viagem; eu já reservo o assento que a pessoa gosta. Outros... Sei que não se sentem bem pela manhã até tomar os remédios; procuro organizar o café e o descanso até a hora da saída. Tem gente que tem suas manias e não é frescura; a maioria mora sozinha e eu entendo e faço o possível para fazer os outros entenderem também” - diz.

É aconselhável que o idoso faça um check-up completo antes da viagem – principalmente, se vai para um lugar frio e de altitude ou muito quente.

Há algumas recomendações legais para se levar em conta. A principal é fazer o seguro viagem. Ter sempre o telefone de um familiar e do médico de confiança também é muito importante. “Sempre converso com eles sobre roupas confortáveis e sapatos próprios para cada tipo de viagem” - comenta a agente de viagens.

Intercâmbios

Idosos fazem intercâmbio e estão começando a descobrir essa modalidade. Alguns não gostam muito de se arriscar. “É uma tendência que ainda não se sabe se vai ter bastante sucesso. Acredito que, talvez, em cidades maiores" - explica a turismóloga.

O intercâmbio passa a ser uma modalidade de turismo mais econômico e atraente, devido à economia, às condições de hospedagem em hotéis ou casas de famílias e de conhecer novas culturas. Argentina e Chile - na América do Sul e Portugal – na Europa, pela facilidade da língua, são ainda os países mais visitados. A agente de turismo diz não saber se esta forma de viagem é tão atraente para a terceira idade, já que, nem todos se encaixam nesta modalidade de turismo.

Alguns idosos - que são mais à frente do seu tempo e são mais corajosos - enfrentam um curso de línguas - um pequeno intercâmbio; mas, logo querem voltar para sua vida.

A condição financeira mais estável - por conta da aposentadoria - colabora na hora de garantir um visto. Apesar de a maioria dos países não exigir visto para turistas - os que pedem, dificilmente negam para pessoas que têm uma vida economicamente estável.

Descoberta com as perdas

O ímpeto de viajar na terceira idade acaba surgindo em momentos de tristeza e perdas; em alguns casos, os amigos acabam levando para a viagem meio “arrastados”. Depois da viagem, as pessoas voltam revigoradas e prontas para enfrentarem a vida de forma mais leve. Mas, nem sempre optam em viajar nesses momentos de dor; geralmente, preferem deixar o tempo agir e querem ficar quietos em suas casas. Os idosos gostam de viajar quando estão bem e com saúde; não gostam de dar trabalho - como eles mesmos dizem. Para eles, viajar é como tomar um remédio para rejuvenescer; quem gasta com viagem, gasta menos com remédios. Pessoas que viajam dormem e se alimentam melhor e são mais felizes.

(Foto: Ilustrativa)

É de direito

Pelo Estatuto do Idoso, as empresas devem reservar dois assentos para passageiros com 60 anos de idade ou mais que tenham renda de até dois salários mínimos - R$ 1.908,00 em 2018. Caso os lugares estejam preenchidos, é possível comprar os bilhetes com desconto de 50%. A regra vale apenas para os chamados ônibus convencionais, ou seja, não conta para ônibus executivos, leitos ou semileitos. Apesar de ser previsto em lei, nem sempre os idosos conseguem o direito.

Reclamações

Segundo dados da ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres - em 2017 foram feitas 1023 reclamações sobre a dificuldade em conseguir a gratuidade do idoso ou o desconto de pelo menos 50%. Neste ano, foram recebidas 263 queixas até março. No site Reclame Aqui, foram registradas 114 reclamações sobre passagens de idosos em ônibus rodoviários em 2017.

Regras

A passagem gratuita vale para transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário. O idoso deverá solicitar o “bilhete de viagem do idoso” na própria empresa - com antecedência de, pelo menos, três horas em relação ao horário de partida. Ele também poderá pedir para emitir o bilhete de volta.

De três horas antes do embarque até a hora da partida, os assentos reservados para os idosos que não estiverem ocupados poderão ser colocados à venda.

No dia marcado para a viagem, o idoso deverá comparecer ao terminal de embarque até 30 minutos antes da viagem, sob pena de perder o benefício.

Por que não?

As empresas terão de justificar, por escrito, a razão de não conceder a gratuidade para o idoso que viajará entre os estados. Mesmo se a empresa não der o documento, o idoso pode reclamar. Será necessário procurar os núcleos de fiscalização da ANTT, localizados nos terminais rodoviários. Outra opção é entrar em contato com a agência pelo telefone 166 ou pelo e-mail ouvidoria@antt.gov.br.

50% de desconto

Se as duas vagas reservadas estiverem preenchidas e o idoso com renda de até dois salários mínimos quiser viajar, ele terá direito a um desconto de, no mínimo, 50% no valor da passagem. Por decisão judicial, não há um período mínimo de antecedência para pedir a passagem com desconto.

Emissão da passagem

Será necessário apresentar documento pessoal e outro que comprove a renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Podem ser apresentados: a Carteira de trabalho com anotações atualizadas; o holerite de pagamento ou o documento expedido pelo empregador; o carnê de contribuição para o INSS; o extrato de pagamento de benefício do INSS ou de outro regime de previdência social público ou privado. Quem não tiver como comprovar a renda precisará emitir a carteira do idoso.

(Foto: Ilustrativa)

Como conseguir a carteira do idoso

É preciso fazer a inscrição no CadÚnico - Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal - através de um Cras (Centro de Referência da Assistência Social) com o CPF e título de eleitor. A carteira é emitida pelo próprio Cras ou pelas secretarias de assistência social dos municípios e fica pronto em até 90 dias. Enquanto o documento definitivo não chega, o idoso terá uma declaração provisória com prazo de validade de 180 dias.

A carteira do idoso permanente terá validade de dois anos a partir da data de expedição. Após esse prazo, é preciso atualizar a carteirinha no mesmo Cras em que foi emitida a primeira.

Cartilha

O Ministério do Turismo lançou uma cartilha com informações e orientações para melhorar as experiências de viagem dos idosos. O guia é voltado aos profissionais e empreendimentos do setor, que precisam estar preparados para receber bem estas pessoas.

Dicas de viagem

Consulte um médico antes de ir; faça um seguro saúde; ajude na hora de fazer a mala; avise a empresa aérea que se trata de um idoso; não se esqueça de levar os remédios; faça um cartãozinho com informações básicas; atenção com a hidratação; calcule mais tempo para as atividades e pare para descansar.

Tratamento Vip

Nova geração de idosos mostra que, estar na 3ª idade não significa ser velho. Programas especiais, pacotes diferenciados, pagamento facilitado e serviços especializados incentivam o turismo na terceira idade. Os viajantes sessentões são um público especial, que merece tratamento VIP.

Destino

Ao viajar com uma pessoa mais velha, é sempre importante pensar, não apenas no deslocamento - tentando evitar voos com muitas conexões ou esperas longas demais em aeroportos, como pensar, também, na acessibilidade do seu destino.

*Esta e outras matéria na Revista Viver com Saúde, que nesta edição trabalha o tema 'O Brasil está evelhecendo'.

(Foto: Ilustrativa)
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