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Mãe do bebê que faleceu na Capital quebra o silêncio

“Meu filho estava bem. Era uma criança superativa até o dia de ele tomou a vacina em Campinas, disse a mãe

Aurora Villalba - Hojemais Três Lagoas
08/01/19 às 16h27
Ellen Ferreira Gomes, e o filho Celso Henrique. (Foto: Arquivo familiar)

Ellen Ferreira Gomes, mãe de Celso Henrique, e toda a sua família estão mergulhados em uma tristeza profunda e indignados pela perda do filho. De acordo com a mulher, no dia 24 de julho de 2018, após o bebê tomar uma vacina na cidade de Campinas, interior paulista, seu filho nunca mais foi o mesmo.

Ela explicou que ao receber a dose, aplicada em uma de suas coxas, após três dias a criança passou a ter febre, deixou de andar e nunca mais se recuperou. Ellen explicou que, que desde este dia, que sua vida e de seu esposo passou a ser uma busca incessantemente por médicos e realização de exames, com objetivo de descobrir o que teria acontecido com o bebê.

“Meu filho estava bem. Era uma criança superativa até o dia de ele tomou a vacina", diz a mãe. (Foto: Arquivo familiar)

“Meu filho estava bem. Era uma criança superativa até o dia de ele tomou a vacina. Após, ele não quis mais se levantar, só ficava sentado, deitado, e imediatamente, procuramos vários médicos e foram feitos vários exames. O estado de saúde dele se gravou, passando a ter inchaço nas mãos, pés, vômitos, hemorragia interna, retenção de líquidos, fígado e o coração aumentou de tamanho. Ele teve, também, miocardite viral passando a tomar inúmeros medicamentos. Também ficou internado diversas vezes em unidades de terapia intensiva nos municípios de Mogi Guaçu e Limeira” relatou Ellen Gomes.

A mãe disse também, que os médicos não fecharam diagnóstico, mas deram alta médica para que ele ficasse em casa. “Às vezes ele chorava muito, parecia sentir uma dor intensa, ficávamos desesperados. E, assim seguimos, cuidando do nosso filho, sempre confiando que ele seria curado”, disse.

Seguindo com o tratamento à risca e observando uma melhora do seu estado de saúde, o casal -que tem outros três filhos- resolveu viajar para Três Lagoas para rever a família no dia 20 de dezembro, com retorno previsto para o dia 5 de janeiro de 2019, o que não aconteceu.

(Foto: Arquivo familiar)

Meu marido estava de férias e o nosso retorno para Campinas estava agendado para o dia o 5 de janeiro, mas neste dia o neném ficou muito mal, com um choro muito intenso. Procuramos o Hospital de Três Lagoas, onde ele foi bem atendido e ficou internado. Como o quadro clínico dele piorou, fomos informados que ele seria encaminhado para a Campo Grande”, contou.

De acordo com a mãe, a ambulância saiu de Três Lagoas com o paciente ás 23 horas e 40, e chegou na capital por volta das 5 horas e 30.

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(Foto: Arquivo familiar)

Ellen afirma que a viagem poderia ter sido mais rápida, e que seu bebê poderia ter chegado mais cedo no Hospital de Campo Grande, se ambulância não tivesse quebrado no município de Água Clara, localizado a cento e trinta quilômetros da Capital sul-mato-grossense.A mãe da criança conta que à 1 hora e 19 na cidade de Água Clara, a ambulância não funcionou mais, sendo necessário que eles esperassem o envio de outro veículo.  “Era para o meu filho chegar em Campo Grande por volta das 3 horas e 30. Meu filho ia estar com vida, poderia receber o atendimento e ter mais chance de sobreviver, só que a gente chegou umas 5 horas e 30 e as 7 horas e 50 meu filho faleceu”, explicou.

Vivendo a dor da perda e muito angustiada, Ellen informou que a família já está em contato com um advogado de Três Lagoas, não objetivando reparação financeira, mas lutando que outras famílias não passem o que eles estão vivendo.

Através de nota a Prefeitura de Três Lagoas informou: De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a criança Celso Henrique Ferreira Rodrigues deu entrada no Hospital Auxiliadora com quadro grave de cianose labial e perda de consciência. Teve histórico anterior de bronquiolite aguda e por isso ficou internado em local não informado, pois a criança não era moradora de Três Lagoas. O paciente teve reação de vacina e desenvolveu uma miocardite viral - miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco (miocárdio) - porção mais volumosa do coração responsável por bombear o sangue para todo o corpo causado por vírus. Tal situação de saúde tornou o quadro mais delicado ainda.

Ainda segundo a nota, a criança evoluiu para parada respiratória, que foi revertida ainda no Hospital Auxiliadora. Devido à gravidade do quadro, foi feito pedido de transferência para Hospital de Campo Grande (Santa Casa).

Ocorre que a aproximadamente 20 km de Água Clara - MS, a ambulância apresentou problemas e parou na estrada. O responsável pelo Setor de transporte pediu apoio de ambulância de Água Clara. Porém, neste meio tempo, uma das ambulâncias da Secretaria de Saúde de Três Lagoas estava retornando de uma transferência de Campo Grande e acabou por fazer a transferência entre ambulâncias para levar o menor para o Hospital da Capital.

A Secretaria salienta que não houve falta de assistência, pois a criança continuou tendo todo o atendimento da equipe de transporte (médico e enfermeiro). A informação que a viagem atrasou duas horas ainda está sendo apurada, porém, adiantamos que esse não foi o tempo informado pela equipe que acompanhou o paciente. A criança estava em estado muito grave, porém chegou com vida em Campo Grande.

A Prefeitura de Três Lagoas lastima a fatalidade e compreende a delicadeza dos fatos e informa que, por meio da Secretaria Municipal de Administração, irá abrir procedimento administrativo para apurar as denúncias feitas pela família do paciente.

*Matéria editada às 15 horas e 50, do dia 11 de janeiro de 2018, para acrécimo de informações.

*Colaborou Dayane Milani e Júlia Rafaela

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