Oi, meu nome é ISIS HELENA. Eu amava quando me chamavam de Heleninha. Eu só tinha 1 ano e 11 meses, eu era uma garotinha de sorriso fácil e encantador, que ainda não sabia andar ou falar.
Sorrir eu sabia como ninguém, confesso que andar seria a minha maior conquista, já que nasci prematura e pesando apenas meio quilo, e ali na UTI de um hospital eu lutei durante quatro meses e dez dias pela minha vida.
Os médicos até chegaram a dizer que sobreviver seria um milagre, e eu sobrevivi provando assim que o Deus que me enviou a terra o tempo todo cuidava de mim.
Hoje, dia 21, eu completaria meus dois aninhos, para alegria do papai que sem dúvidas faria uma linda festa, mas eu desapareci. Quero agradecer a todos que oraram e desejaram que eu fosse encontrada bem e com vida, agradecer as milhares de titias, avós e mamães que eu ganhei em tão pouco tempo. Obrigada Brasil, obrigada .
Enfim, obrigada a todos, mas isso infelizmente não será possível comemorar meu aniversário, já que a minha mãe Jennifer confessou ter jogado o meu pequeno e inocente corpo no Rio do Peixe em Itapira ( SP ), a vida acabou pra mim .
Como você foi capaz mamãe? Eu era totalmente dependente de carinho, amor e cuidados.Na noite anterior ao crime eu queimava de febre, mais você ao contrário de me socorrer, simplesmente me deu uma mamadeira de leite e me colocou pra dormir.
Você colocou o meu pequeno copo em uma mochila, e em seguida se desfez de mim como se eu fosse um nada, provando assim que nunca foi amor, porque quem ama cuida.
Mãe, eu não merecia uma morte tão cruel assim. O meu corpinho ainda não foi encontrado e o papai se quer pode me dar um enterro digno. Calma Papai, calma vovó e família, a dor tem sido grande eu sei, peço que se mantenham firmes e fortes porque naquele rio só se encontra o corpo mesmo. O meu espírito já repousa nos braços do meu criador, e nele eu posso confiar.
Fiquem apenas com o meu lindo sorriso e a certeza papai, que você foi o melhor pai do mundo.O que me deixa triste é saber que não sou a primeira criança vítima de tanto desamor, e o tempo tem provado que enquanto as leis não forem mudadas eu estarei longe de ser a última, ficando apenas pra estatística.
O texto foi extraído da página Ei, boy.