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Morte de peão pisoteado por touro gera discussão sobre rodeios

Até onde o rodeio deve ser uma prova esportiva legal, se gera muito sacrifício aos animais e grandes riscos aos competidores?

Hojemais Três Lagoas - Dayane Milani
14/07/18 às 07h17
Simone Oliveira Batista, mais conhecida como Simone Xucra. (Reprodução)

Uma tragédia marcou o último dia da Exposição Agropecuária de Paranaíba. Uéliton Flávio de Oliveira, jovem peão de rodeio, de 24 anos, morreu após ser pisoteado por um touro durante a fase decisiva do rodeio.

O peão estava em cima do touro, próximo de completar a prova de 8 segundos quando acabou caindo.  Uéliton foi pisoteado na nuca e morreu dentro da arena, que estava lotada de pessoas. A cena chocou espectadores e causou a comoção total de organizadores e demais participantes.

O episódio trouxe de volta uma polêmica antiga: até onde o rodeio deve ser uma prova esportiva legal, se gera muito sacrifício aos animais e grandes riscos aos competidores?

O caso já chegou ao Congresso Nacional onde, um projeto de lei do deputado Ricardo Tripoli - que tramita desde 2011 - pretende proibir não o evento em si, mas as "perseguições seguidas de laçadas e derrubadas".

Para as entidades protetoras dos animais, trata-se de uma prática cruel e que deveria ser banida. Um dos argumentos dos que são contra esse tipo de competição é que ela está longe de representar a cultura brasileira no campo. Na verdade, foi importada dos EUA e virou um comércio de muitos milhões de reais em detrimento da saúde dos animais e da vida dos peões.

Para o três-lagoense e ex-peão de rodeio -montaria em touros - Joabe Rodrigues Evangelista, todos os peões têm consciência dos riscos e perigos que correm. O ex-peão explicou que os rodeios estão cada vez mais seguros, modernos e profissionalizados. “Existem rodeios que exigem o uso dos equipamentos; hoje está bem moderno e tem tudo para que não aconteça acidentes e, principalmente, fatalidades como o da semana passada”.

O peão declara que o esporte é perigoso, mas a paixão pelo rodeio supera todos os medos. “Todos os peões têm consciência dos perigos e riscos que correm. A paixão pelo rodeio é inexplicável. São oito segundos de adrenalina que não existem palavras que expliquem. É uma sensação muito boa”.

Segundo ele, todos os peões têm a intenção de fazer uma boa apresentação, parar em cima do animal e ir embora com saúde. Durante toda a sua carreira, o peão disse que sofreu alguns acidentes, mas nada com gravidade.

A peoa de rodeios Simone Oliveira Batista, mais conhecida como Simone Xucra, também falou dos riscos que todo peão corre ao montar em touros. “Corremos o risco de ser pisoteados, levar uma chifrada, ou até mesmo do animal cair em cima do competidor, ser esmagado ou fraturar alguns ossos”.

Para ela, os equipamentos de segurança realmente protegem os competidores; porém, não são 100%. “Eu conheço vários competidores que foram pisoteados na cabeça, mas, por estarem usando capacetes, nada de grave aconteceu.  Assim como sei de caso de competidores que morreram pisoteados na cabeça, mesmo usando capacetes. É questão muito relativa”.

Na opinião se Simone o capacete não é considerado um equipamento de extrema importância.

Sobre a fatalidade em Paranaíba, Simone lamentou. “Muitos não entendem sobre o rodeio e tentam, de toda forma, achar um culpado para este fato; mas, na minha opinião, não há culpados. Ele estava lá fazendo o trabalho dele, montando no touro, indo em busca do título de campeão do rodeio”.

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(Reprodução)
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