Investigado por crime de suposto estupro contra uma jovem de 15 anos, o professor participará de uma competição em Campo Grande neste fim de semana. Sua confirmação no evento deixou diversos pais preocupados e muitos outros revoltados com a federação da modalidade.
De acordo com a denúncia feita pelos pais em janeiro deste ano, o crime teria ocorrido em novembro de 2019 durante viagens, no interior de um veículo e também na academia do professor, de 31 anos, em Dourados. A vítima praticava judô no local desde os 9 anos de idade, segundo testemunhas. Em seguida a descoberta do suposto abuso sexual, a vítima se mudou com a família de estado.
O suspeito alega que "nada o impede de circular nestes locais".
Já os pais dos atletas se encontram preocupados com a situação, em depoimento ao G1 um dos pais afirmou que a situação causa desconforto para todos.
"Sou pai de atletas que vão viajar para esse campeonato regional brasileiro. E esse sensei de Dourados conseguiu uma vaga também, ele vai viajar junto com a delegação porque foi classificado. A minha preocupação de pai é essa pessoa junto de outras crianças e adolescentes, algumas com experiência e outras viajando pela primeira vez. Muitos pais estão revoltados", afirma o vendedor autônomo, de 38 anos, que não quer ser identificado.
Da mesma forma, uma vendedora de 33 anos diz que "está com medo" de deixar o filho, de 12 anos, viajar no mesmo ônibus em que estará o professor investigado. "A própria federação deu a ele uma suspensão de 30 dias, só que ninguém esclareceu nada depois desse prazo. Nós queremos um posicionamento e ficamos com medo de deixar nossos filhos, até que o caso seja esclarecido. Ele tinha que ser afastado tanto professor como atleta", comentou.
Ao G1 o presidente da Federação de Judô de Mato Grosso do Sul (FJMS), José Ovídeo Duarte Silva, comentou que o processo está tramitando na Justiça e, enquanto isso, o professor é uma pessoa livre. "Não existe nada contra ele, o processo está tramitando. Nós determinamos o afastamento dele por uma questão preventiva. Mas, mesmo assim, ele é uma pessoa comum", ressaltou.
Ainda conforme o presidente, também foi instaurado um processo interno na federação e este está sendo investigado. "Temos noção da dimensão e estamos trabalhando neste fato, até para evitar um possível tumulto no andamento do caso e também por zelar pela modalidade", avaliou.
De acordo com o professor, que também não terá a identidade revelada, o que existe, até o momento, é uma investigação em desfavor dele. "Estou lá como atleta, livre e participando sim. Eu não cometi nada ainda, está sendo investigado. Vamos ver o que vai acontecer. Nada me impede, tenho que esperar, mas, nem tudo é o que parece", finalizou.
(*) G1 MS