AO VIVO
Geral

Taxa de pessoas que tiram a própria vida no MS é preocupante

Em Três Lagoas, no primeiro semestre de 2018, seis pessoas tiraram a própria vida; o último caso foi em maio.

Hojemais Três Lagoas - Bruna Taiski
15/07/18 às 06h22
(Ilustrativa)

Em 2017, o Ministério da Saúde divulgou dados que constam em um diagnóstico sobre casos de suicídio no país. A alta taxa de suicídio no Mato Grosso do Sul é preocupante; o estado está entre os seis com maiores taxas de suicídio e, sua capital é a segunda na lista com maior índice de casos em relação ao número de habitantes. São 7,82 suicídios para 100 mil habitantes em Campo Grande.

Somente em Três Lagoas, no primeiro semestre de 2018, seis pessoas tiraram a própria vida; o último caso foi em maio.

Segundo o Psicanalista Antônio João Campos de Carvalho, a tendência a tirar a própria vida está relacionada a alguns fatores:

I - a gravidade do quadro depressivo: nos quadros depressivos graves, a porcentagem de tentativa de suicídio é muito mais elevada. II - o uso de álcool e drogas: que podem causar estados depressivos pós uso e são extremamente graves, pois potencializam estados depressivos já existentes, situações existenciais pessoais com uma somatória de fatores e doenças psiquiátricas.

“A princípio, o que leva o cidadão a esse ato são situações que levam à perda de qualquer sentido da razão de viver. Perdas de grande significado, quadro depressivo, a droga, o alcoolismo, e doenças psiquiátricas, podem levar a essa situação de frustração muito grande. Então surge a idealização da morte como uma solução” - diz.

“É inegável que o aumento da população aumente o número de casos; o que é preciso ver é se existe uma situação chamada prevalência, em números de habitantes e em mortes por suicídio” - conta.

Conforme o Psicanalista, não há um perfil traçado ou sinais corretos para saber que o indivíduo irá cometer o suicídio. Ele explica que existem pessoas que são submetidas a grandes frustrações e não entram em quadro depressivo e de desesperança; mesmo estando saudáveis mentalmente, a importância e o significado dado a esses problemas menores podem acarretar na ação.

“A verdade é o significado de cada fato e não o fato em si. Mas, o que se pode notar no cidadão que esteja com uma mudança no comportamento, é a hipótese de que ele esteja entrando em depressão. O alerta vai aos jovens e adolescentes que começam a ficar arredios, sair da sua atividade social, diminuir o rendimento escolar e a sua participação nos prazeres que antes tinham.

Os pais não entendem que eles podem estar entrando em um processo depressivo e que isso é lento. Mas, não há sinais para esse tipo de prevenção” - afirma.

MÉDIA NACIONAL

Atualmente, a média nacional de suicídio no Brasil, em todas as idades é de 5,5 por 100 mil habitantes. São, em média, 11 mil pessoas que tiram a vida por ano no Brasil. Quando verificado por faixa etária, os idosos são os que mais preocupam, pois, as taxas sobem para 8,9 mortes por 100 mil, nos últimos seis anos. Os homens são os que mais morrem por suicídio e 60% são solteiros. A região Sul concentra 23% dos suicídios e o Sudeste 38%.

CVV, BOA NOITE, GOSTARIA DE CONVERSAR?

Neste mês de julho, as ligações para o 188 - telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV) - passaram a ser gratuitas em todos os estados do país. Pelo número, os cidadãos recebem apoio em momentos de crise e ajuda para prevenção ao suicídio. A gratuidade das ligações foi garantida por convênio com o Ministério da Saúde. Foram repassados recursos de R$ 500 mil para o CVV.

A expansão da chamada sem cobrança no país vem acontecendo desde o ano passado. Os últimos estados que passaram a ter acesso ao CVV pelo número gratuito 188 foram Bahia, Maranhão, Pará e Paraná. Em 2017, o Centro de Valorização da Vida recebeu dois milhões de ligações de cidadãos em busca de ajuda - o dobro do registrado em 2016.

O CVV é uma associação civil, sem fins lucrativos, que trabalha com prevenção ao suicídio, por meio de 2.400 voluntários. Segundo a associação, os voluntários não são necessariamente formados em psicologia, mas recebem uma capacitação de 40 horas. As chamadas acontecem em total sigilo, em um espaço de escuta acolhedor e seguro e que alivia a ansiedade e o desespero.

“Essas ajudas que existem via telefone podem ser benéficas; tudo depende de quem está do outro lado. Não é preciso uma qualificação excepcional para que você possa emprestar o seu ombro para alguém colocar um desabafo e diminuir a frustração. O que se precisa entender é que se do outro lado estiver alguém que pense diferente, pode até estimular isso. Mas, eu acredito que os que se pré-dispõem a esse voluntariado, são pessoas que acreditam na vida, no cidadão, que são solidários e que estão prestando um serviço relevante, impedindo que cometam o ato” - opina o psicanalisa três-lagoense, Antônio João.

O psicólogo Sidnei Muniz compartilha do mesmo pensamento. Conforme ele, o ideal seria que fossem profissionais com conhecimento na área da saúde e do comportamento; porém, o risco diminui em razão destas pessoas sempre receberem um treinamento para exercer essa atividade voluntária.

“Pode ajudar através da escuta sem julgamento, do acolhimento, e, a partir da ligação a pessoa sabe que tem alguém dividindo com ela a dor que ela está sentindo, pois o suicida não quer, em verdade, tirar a vida; contudo, ele não aguenta mais carregar o fardo daquela dor” - diz.

A parceria com o Centro é uma das ações do Ministério da Saúde para prevenção do suicídio. “Geralmente, procuram o centro pessoas em sofrimento - seja por solidão, ou porque estão em desespero, ou porque não se identificam com o meio em que vivem” - explica o coordenador de Saúde Mental do Ministério, Quirino Cordeiro.

Além do CVV, as pessoas que precisam de ajuda podem recorrer aos Serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), tais como os 2.555 Centros de Atenção Psicossocial – CAPS - que atendem questões como transtornos psíquicos, dependência de álcool e outras drogas e, se necessário, os pacientes são encaminhados para leitos de Saúde Mental em hospitais gerais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.