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Trabalhando por cerca de 57 anos sem salário, Teresa busca por justiça

“Adotada” por família ainda criança, Neli Teresinha viu sua vida passar enquanto realizava serviços domésticos

Thais Dias  - Hojemais Três Lagoas
19/01/21 às 09h08
À esquerda, sem o rosto borrado, Tereza, na tradicional foto familiar; caso foi contado pelo Campo Grande News em novembro de 2020 (Foto: Arquivo Pessoal)

A história que parece ter sido tirada de filme, aconteceu com Neli Teresinha, que foi acolhida pela família quando ainda tinha seis anos. De acordo com o site Campo Grande News, a família que a “adotou” a tratava com proximidade, o que dava a entender que Teresa era como filha, porém diferente dos demais “irmãos”, Neli nunca se sentou à mesa para almoçar com a família e desde muito pequena já foi colocada para realizar serviços domésticos. 

Após seis décadas de prestação de serviços e sem nenhuma oportunidade de melhorar de vida, Neli foi despejada da casa, a notícia que não teria direito a nada a deixou totalmente sem rumo. 

O caso que foi narrado pelo site Campo Grande News, foi parar na justiça que acabou com uma a sentença não favorável a Neli. 

No dia 14 de janeiro deste ano, a juíza do Trabalho substituta, Lilian Carla Issa negou o pedido indenizatório de Tereza, mesmo que haja relato que além da função doméstica, também passou a ser cuidadora.

"É nítida a existência de laços afetivos não só entre a reclamante e os reclamados, assim como entre os reclamados e a família constituída pela reclamante (seu esposo, filhas, genro e netos)", destaca a juíza Lilian em seu relatório, ao citar que todos, inclusive marido, filhos e genro de Tereza moravam na mesma casa.

Em outro trecho, ela ainda destaca que uma evidência de que Tereza era tratada como filha é a inclusão de seu nome como dependente do patriarca da família na União Beneficente das Forças Armadas, e segue argumentando. 

"Ainda que seja verdade a alegação da testemunha de que a reclamante era tratada de forma diferente que os filhos do casal e a alegação da reclamante de que nunca se sentava à mesa com a família, isso não é suficiente para considerá-la empregada e afastar a sua condição de filha do casal, com possíveis implicações sucessórias, pois sabe-se que o tratamento diferenciado ocorre até mesmo entre parentes consanguíneos".

Lilian frisa que não foi demonstrada existência de "subordinação jurídica", mas que na relação entre os envolvidos havia mutua colaboração, que segundo a juíza é algo característico das relações familiares. 

Em entrevista ao site Campo Grande News a filha de Tereza lamenta a sentença, "Ficamos muitos tristes com essa decisão. A gente acreditava que a Justiça seria feita. A juíza não levou em consideração que minha mãe não tinha onde morar, não tinha carteira assinada. Não quis nem saber como minha mãe ia viver o resto da vida dela após ser despejada".

Ainda de acordo com a filha de Neli Teresinha, os então 'irmãos' de sua mãe vão pedir a desocupação da casa onde ela reside nos dias atuais, solicitando ainda o corte do fornecimento de água e luz, a filha frisa que o advogado de Teresa entrará com recurso. 

(*) Fonte Campo Grande News 

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