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Homem confessa ter pago R$ 700,00 para ex matar a mãe e o padrasto dele em Araçatuba

Vinha planejando os crimes havia 3 semanas e dopando as vítimas, sob argumento de que não concordariam com o fato de ele ser homossexual

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
15/01/23 às 07h37
Casal foi morto a pauladas dentro de casa a mando do filho, segundo a polícia (Repodução/Hojemais Araçatuba)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) prendeu em flagrante neste sábado (14), um homem de 36 anos, acusado de ter planejado e participado dos assassinatos da mãe dele, Magali Cantarani Luz, 61 anos, e do padrasto dele, Lourival Aparecido Poletti, 56.

O executor do crime seria um homem com o qual o filho do casal havia mantido relacionamento amoroso, ao qual ele confessou ter pago R$ 700,00. Parte do dinheiro foi usado para comprar gasolina que seria usada para incendiar os corpos, que foram encontrados na residência da família, no início da madrugada.

.Eles tinham ferimentos na cabeça e foram atacados com golpes de um cabo de machado por parte do homem contratado para fazer o serviço. Quando ainda agonizavam, o filho do casal teria retomado as agressões, causando as mortes.

 

Caso

O delegado da DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais), José Abonizio, participou das investigações e concedeu entrevista coletiva à imprensa.

De acordo com o que foi informado, foi o próprio filho das vítimas que telefonou para a Polícia Militar, no início da madrugada, informando que havia chegado em casa e encontrado a mãe dele ferida, a caída na garagem da residência, que fica na rua José Xavier Couto, no bairro Primavera.

Após constatar a situação pelo local, os policiais militares comunicaram a Polícia Civil, que foi ao imóvel para iniciar as investigações e acompanhar a perícia. Segundo o delegado, o interior da casa estava revirado, havia muito sangue e houve suspeita de crime passional.

Entretanto, durante a perícia foi encontrado o corpo do padrasto do investigado, escondido dentro do porta-malas de um carro que estava na garagem. Tanto a mulher como como o homem apresentavam lesões na cabeça e no porta-malas havia um cabo de machado.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado e constatou os óbitos no local.

Versões

Ainda de acordo com a polícia, o filho do casal inicialmente alegou que teria ocorrido um roubo. Ele contou que havia saído de casa por volta das 21h30 e pemanecido na praça do bairro Paraíso, em uma pastelaria, até por volta de 1h30.

Alegou ainda que havia voltado para casa contratando um motorista por aplicativo e quando chegou, abriu o portão, que estava encostado, se deparou com a mãe caída na garagem e acionou a Polícia Militar. Os celulares das vítimas não foram encontrados.

Entretanto, foi constatado que não havia sinais de arrombamento e o portão social da casa estava com a chave pela fechadura no lado de dentro. Após a conclusão da perícia os corpos foram recolhidos pela Funerária Laluce para serem levados para o IML (Instituto Médico Legal) e o filho do casal encaminhado ao plantão policial para o registro da ocorrência.

Confessou

Na delegacia, já pela manhã, ao ser ouvido e diante das envidências já identificadas pela polícia, o investigado acabou confessando ter planejado a morte do padrasto e contratado essa pessoa com quem teria tido um breve relacionamento amoroso há cerca de um mês para cometer os crimes.

A versão dele foi de que durante a ação a situação teria saído de controle, por isso, a mãe dele também foi assassinada. Porém, a polícia acredita que eles já haviam planejado executar as duas vítimas.

Após ele informar quem seria a outra pessoa envolvida, os policiais realizaram diligências, a encontraram no supermercado no qual ela trabalha e o levaram para a delegacia, onde ela também confessou participação nos assassinatos e deu detalhes dos crimes.

Segundo informações do delegado José Abonizio, o filho do casal assassinado nesta madrugada alegou que os pais deles brigavam muito e a mãe dele não aceitaria o fato dele ele ser homossexual.

Ele também não o deixava sair de casa, apesar de a polícia ter apurado que o investigado tinha o hábito de sair para festas e voltar de madrugada. Essa situação teria levado o filho a matar os pais.

Por isso, havia cerca de três semanas que o investigado vinha colocando remédios no suco para eles ingerirem, na tentativa de que sofressem um ataque cardíaco. Entretanto, ele teria percebido que o casal aparentemente ficava apenas dopado.

Há cerca de uma semana o acusado teria planejado a execução e combinado com esse homem que com quem teve relacionamento para cometer os crimes. Segundo o que foi informado à polícia em depoimento, o executor confirmou que recebeu os R$ 700,00 pelo serviço antes da execução.

Espera

Ele disse que com o dinheiro passou em um posto de combustíveis, abasteceu um galão com gasolina que custou R$ 19,50 e foi para a residência do casal, onde ficou aguardando do outro lado da rua.

Enquanto permanecia no local, aguardando instruções do filho das vítimas, que estava no interior da casa, ele inclusive teria conversado com populares que passavam pela via.

Após ser autorizado a entrar no imóvel, ele teria atacado inicialmente o padrasto do contrante, com golpes com o cabo de machado na cabeça. A mãe teria sido agredida na cozinha e inclusive, após o golpe, teria caído e quebrado a tampa de vidro do fogão ao bater a cabeça.

"Foi algo extremamente desorganizado, segundo a criminologia, e foi isso que levou a gente a rapidamente detectar os indícios das autorias, por vários fragmentos impressão digital, coleta de DNA, o modo como foi desarrumada a casa para simular um assalto era um indicativo de que aquilo não teria acontecido" , explicou.

Corpos

Ainda de acordo com o delegado, os acusados relataram que pretendiam colocar os corpos no porta-malas do carro e levá-los até o Baguaçu, para ocultá-los, ateando fogo. O galão com o combustível inclusive foi apreendido, após ser encontrado do outro lado da rua, na frente da residência do casal.

Eles conseguiram colocar o corpo do padrasto do investigado no porta-malas do carro, mas pelo peso, não conseguiram fazer o mesmo com o corpo da mãe. Diante disso, desistiram de se desfazerem dos corpos e deixaram o local, na tentativa de forjar álibis.

Participação

Apesar de o filho do casal ter alegado em depoimento que o contratado por ele teria sido o autor das mortes, o segundo acusado relatou que o próprio filho teria participado efetivamente dos crimes.

A informação obtida pela reportagem foi de que após as vítimas serem agredidas ficaram agonizando. Por isso, elas tiveram os corpos cobertos com um pano e o filho do casal teria golpeado novamente a cabeça da mãe e do padrasto, ocasinando as mortes.

No local foi encontrado um segundo pedaço de madeira, em formato de pênis, que também pode ter sido usado nas agressões. Esse objeto foi apreendido e também passará por perícia.

O homem contratado pelo filho do casal disse ainda à polícia que teria gasto o restante do dinheiro recebido com drogas e bebidas alcoólica, que teria consumido durante toda a madrugada.

Apesar de ter tido um relacionamento amoroso com o outro investigado, eles se descrevem mais como amigos do que como "ficantes" , pois o filho do casal tem um companheiro.


Interditado

Durante o andamento das investigações, familiares do homem acusado de ter sido contratado para os crimes compareceram no plantão policial e apresentaram ação judicial, informando que ele é interditado judicialmente, ou seja, não poderia responder pelos próprios atos. Isso será analisado pela Justiça.

Quanto ao filho do casal, o delegado relatou que em nenhum momento ele apresentou qualquer tipo de arrependimento, tendo inclusive feito brincadeiras no momento em que os corpos ainda estavam no local.

Os dois devem ser indiciados por duplo homicídio qualificado pelos motivos fútil e que dificultaram as defesas das vítimas. A polícia seguirá as investigações e não descarta possível participação de outras pessoas nos crimes.

 

 

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