Criado com o objetivo de sensibilizar as empresas que vem para Três Lagoas a destinarem recursos para ser investidos em ações mitigadoras, como forma de minimizar os impactos causados durante a instalação destes empreendimentos industriais, que gozam de incentivos fiscais do município e do Estado, o Codesus (Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Três Lagoas) tem obtido êxito em algumas ações, mas ainda enfrenta a resistência de indústrias sem esse comprometimento social com a comunidade, mesmo quando causam impactos na infraestrutura e no trânsito da cidade.
É o que afirma o presidente do órgão, Milton Gomes Silveira, que critica também critica o argumento destas empresas de que por estarem investindo na cidade e gerando emprego, não teria necessidade de destinar recursos em ações mitigadoras.
Silveira cita como exemplo a Cargill Agrícola que, segundo ele, através da movimentação de veículos de grande porte, tem causado grandes impactos na vizinhança através da movimentação e estacionamentos de carretas nas proximidades da empresa. Instalada na região de Jupiá.
De acordo com Silveira, tais manobras têm causando danos às margens da via e prejudicando a segurança dos usuários que circulam naquela localidade, tendo em vista que a empesa não dispõe de estacionamento próprio compatível com o volume de veículos de grande porte, ficando os caminhões carregados a espera de descarga as margens das vias.
Codesus, conforme ele afirmou, já iniciou processo de negociação com a multinacional, em razão da sua ampliação, com investimentos de aproximadamente 200 milhões de reais. Ontem foi realizada reunião entre o Codesus e representantes da Cargill e, segundo Silveira, houve um significativo avanço nas negociações. Embora a empresa não tenha acenado positivamente em relação aos 1,3 milhão defendido pelo Conselho, Silveira acredita que vai ser possível viabilizar um montante razoável. O Codesus está atento também à ampliação das fábricas da Fíbria e da International Paper.
Por fim, Silveira destaca que é muito importante a participação dos órgãos ambientais na concessão das licenças de instalação e operação dessas empresas que, apesar da previsão de certas exigências nas normas ambientais, ainda persistem risco prejuízo, tanto ao meio ambiente quanto aos moradores da cidade. “Portanto, não devemos descuidar da fiscalização e das exigências de todos os mecanismos de proteção ambiental, não podemos somente vislumbrar os impactos positivos, se esquecendo dos riscos que são inerentes a esses empreendimentos”, finaliza.