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Com retração do FPM, repasse do ITR vira tábua de salvação dos prefeitos

Em Mato Grosso do Sul, os maiores municípios em área territorial são Corumbá, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas,

Conjuntura Online
25/09/14 às 23h25

Os prefeitos de Mato Grosso do Sul veem o próximo repasse da receita do ITR (Imposto Territorial Rural), a ser efetuado em outubro, como uma espécie de tábua de salvação dos municípios devido à grave crise estrutural provocada pelas constantes quedas do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). 

O primeiro dos quatros repasses do ITR este ano deve render o equivalente ao que foi depositado na conta das prefeituras em 2013, em torno de R$ 45 milhões, dinheiro que será importante para aliviar a situação,  principalmente dos municípios de pequeno porte. 

As prefeituras devem fechar o mês de setembro com a receita apertada por causa da queda de 12,3% no repasse do FPM em relação à transferência de recursos feita em agosto pelo governo federal. 

Pelas previsões da STN (Secretaria do Tesouro Nacional), o repasse total este mês será de R$ 62,821 milhões para divisão entre os 79 municípios do Estado, já descontados os 20% para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). 

O governo federal transferiu para a conta das prefeituras R$ 71.634.104,07 referente ao FPM de agosto, contra os R$ 62.821.919,35 previstos para este mês. 

A política de isenção fiscal concedida pelo governo a setores da economia, como à indústria automotiva que, por conta disso, não recolhe o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), é vista como a grande vilã dos municípios. 

Composto de 22.5% da receita do IPI e do IR (Imposto de Renda), o FPM é transferido a cada 10 dias do mês para divisão entre as prefeituras, além de 1% extra no dia 10 de dezembro de cada ano. 

ITR

O presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Douglas Figueiredo (sem partido), disse que a verba do ITR pode ajudar, em parte, no pagamento inclusive da folha de dezembro e do décimo terceiro salário dos servidores públicos municipais.

Segundo ele, além do repasse a ser feito agora em outubro, outras três parcelas devem ser creditadas na conta das prefeituras em novembro, dezembro e janeiro. 

Douglas observa que como o dinheiro referente à arrecadação do ITR é de livre movimentação financeira, ou seja, não é obrigatoriamente necessário investi-lo em setores específicos da administração pública, os prefeitos podem reforçar o caixa para esta finalidade.

Ele explicou que, a exemplo de anos anteriores, os prefeitos esperam com grande expectativa novos repasses nos três meses seguintes para melhor se programar.

Pelos critérios de divisão proporcional entre os municípios, o VTN (Valor da Terra-Nua) é principal elemento para se realizar o cálculo do ITR, cuja arrecadação é transferida 100% aos cofres das prefeituras.

O presidente da Assomasul destaca que essa alteração na fórmula de repasse do ITR garantiu aos municípios brasileiros 100% dos recursos recolhidos, o dobro do que antes era repassado pela União. “Antes as prefeituras só tinham direito a 50%”, lembra. 

Segundo ele, esta é uma das principais conquistas dos prefeitos por meio das marchas a Brasília organizadas anualmente pela CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Em Mato Grosso do Sul, os maiores municípios em área territorial são Corumbá, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas, o que não significa que alguns deles sejam os maiores arrecadadores do tributo.

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