Apesar de ser um dos municípios que mais crescem em Mato Grosso do Sul, não apenas demograficamente, mas também economicamente, Três Lagoas não tem conseguido emplacar nomes no primeiro escalão do governo do Estado, quer seja em secretarias ou em outros cargos de maior relevância, como a Sanesul e Detran, por exemplo.
Para alguns presidentes de entidades classistas, de longa data a cidade já merece um lugar de destaque no cenário estadual; já outros entendem que isso deve ocorrer em um futuro muito próximo, levando-se em conta que o crescimento do município é recente. Nenhum, porém, vislumbra a possibilidade de alguém conquistar um lugar ao sol no futuro governo de Reinaldo Azambuja, apesar de o município ter ampliado a sua representatividade política com a eleição de dois deputados estaduais e uma senadora, respectivamente, Eduardo Rocha (PMDB), Ângelo Guerreiro (PSDB) e Simone Tebet (PMDB).
“A sociedade anseia por isso”
MOBILIZAÇÃO
Milton Gomes Silveira, presidente do Conselho de Desenvolvimento Sustentável do município entende que já é mais que justificável ter alguém de Três Lagoas, ou da região, no primeiro escalão do Governo. “A sociedade clama por isso, mas é complicado se mobilizar”, pondera, avaliando que para que isso ocorra é necessário que os partidos políticos tenham mais força e não busquem apenas o seus interesses particulares. Ele diz, por exemplo, que a ocupação de cargos deveria ter sido discutida durante o processo eleitoral. Apesar de considerar que existam nomes para serem indicados, não vislumbra nenhum por enquanto e finaliza: “No primeiro escalão, qualquer representação é significativa”.
Eurídes Silveira de Freitas, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, também culpa a falta de união dos partidos políticos e da própria população.
“É necessário ter dedicação”
DEDICAÇÃO
O empresário José Paulo Rímoli também lamenta a falta de representatividade do município e cita como exemplo a Fiems que, em 35 anos de história, teve apenas ele como diretor no município. E aponta a dedicação como o caminho para se ocupar espaços mais importantes. Rímoli explica que, apesar de não ter salário, não perde um compromisso na Capital, para onde vai com recursos próprios. “Mas eu me orgulho muito disso, porque depois que passei a fazer parte [da diretoria] alcançamos uma infinidade de conquista do sistema “S” para Três Lagoas e região”.
No seu entendimento, para Três Lagoas ocupar espaço de destaque no cenário estadual, é necessário às pessoas irem atrás. “Faltam lideranças”, sentencia. “Mas tem muita gente com competência”, ajuíza, citando Cícero de Souza, que por vários anos presidiu o Tribunal de Contas do Estado. Ele também não vê nenhuma possibilidade de Azambuja escolher um secretário de Três Lagoas. “Acho que as indicações ficarão por aqui mesmo”, diz, referindo-se à ocupação de cargos de órgãos do Governo no município. “Mas eu desejo que ele nomeie alguém que olhe para Três Lagoas”, finaliza.
FORTALECER A BASE
O industriário Atílio D´Agosto enxerga com naturalidade a ausência de três-lagoenses no topo do governo, por considerar recente o crescimento da cidade. “É de dez anos para cá esta aceleração no crescimento da cidade, que possui parte significativa no PIB do Brasil. E todo processo evolutivo passa por etapas”, explica o empresário, que é também o presidente da Associação Comercial e Industrial. Em contrapartida, observa que é de longa data o crescimento de Dourados e Campo Grande, de onde tem surgido a maioria das pessoas a ocupar os cargos mais importantes.
Para ele, a região Costa Leste, que tem se tornado rica devido ao polo de celulose irá evoluir também na questão política e, dessa forma, naturalmente, terá a sua influência.
Tem de continuar trabalhando a base forte do empresariado, diz, prevendo que a implantação do porto seco e outros investimentos previstos para a região serão fundamentais para alavancar a região. “Principalmente com a ida de Simone para o Senado, tudo vai melhorar”.
Mas o fundamental para Três Lagoas alcançar esta tão sonhada representatividade, na opinião de Atílio, é lutar por isso, participando, principalmente, das federações. Ele, que é vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado, entende que é necessário ser participativo e ter visibilidade. “É necessário ter mais aproximação com o Governo, independentemente de partido político, deixar de lado a política partidária e trabalhar”, preceitua.
Atílio também entende que a cidade conta com pessoas competentes para ocuparem altos cargos e também cita Cícero de Souza. “Otimista, ele acredita que já existem líderes prontos, que podem ganhar notoriedade no futuro governo”.
TEM QUE BUSCAR ASCENSÃO
Em dois pontos o presidente do Sindicato Rural Marco Garcia concorda com D´Agosto: o crescimento da cidade é recente e há a necessidade de as lideranças aparecerem, o que deverá ser um processo natural após esse crescimento.
“A tendência é a cidade começar a oferecer nomes e o que vai determinar isso é o desempenho individual”, avalia, frisando que não adianta forçar a barra.
Para Garcia, com o fortalecimento da entidade que representa, é natural que a liderança seja lembrada quando da composição do governo. Ele cita como exemplo, Ademar da Silva Júnior, de Aparecida do Taboado, que foi presidente da Famasul e agora é cotado para assumir uma secretaria. “Se alguém almeja [ser secretário de estado], tem de buscar ascensão estadual”, pontua.
Ainda segundo a opinião de Marco Garcia, secretário tem de ser técnico, devendo os políticos ocuparem cargos políticos. Embora considere que a cidade tenha bons nomes e que seria interessante que isso ocorresse, afirma não enxergar a possibilidade de alguma liderança daqui chegar ao primeiro escalão de Azambuja. “Gostaria que isso ocorresse, mas acredito que ficará para os próximos governos”.