O distanciamento entre o PMDB e o PT no Congresso Nacional por conta da crise institucional envolvendo o governo da presidente Dilma Rousseff começou a refletir nas instâncias estaduais, como em Mato Grosso do Sul, onde integrantes da bancada peemedebista se movimentam no sentido de se afastar ainda mais dos aliados.
Embora aliados no plano nacional desde o primeiro governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva, PT e PMDB sempre foram igual à água e óleo em Mato Grosso do Sul.
Isso, talvez, justifique o fato de o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) sugerir a seu grupo político a não indicar nomes em eventual pasta a ser criada pela presidente, caso ela promova uma reforma ministerial para abrir mais espaços para o PMDB.
Ligado politicamente ao ex-governador André Puccinelli, Marun usou as redes sociais para advertir a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados de que não é interessante o partido ocupar alguma pasta, ao mesmo tempo em que defendeu a redução do número de ministérios no governo petista.
O deputado publicou foto do Jornal Folha de São Paulo de ontem que traz matéria intitulada: "Presidente prepara reforma ministerial para atrair PMDB".
A matéria afirma que acuada pela crise política e pelos protestos de rua, a presidente Dilma prepara uma reforma ministerial antes mesmo de completar três meses do seu segundo mandato a frente do Palácio do Planalto.
Aconselhada pelo ex-presidente Lula, com quem ela se reuniria na terça, a "mexida" em áreas específicas do primeiro escalão terá como principal objetivo dar mais espaço ao PMDB e garantir o apoio do partido às medidas de ajuste fiscal.
Marun disse que o partido deve estar aberto a discussão sobre essas medidas, no entanto, classificou como suicídio político assumir uma pasta ministerial.
"Se em meio a esta crise o PMDB aceitar mais um ministério estará cometendo suicídio político", pontuou Marun, ao afirmar veementemente que é contra.
Além de ser contra o PMDB assumir qualquer ministério neste momento, o deputado defende a redução para 20 pastas. "Penso que é chegada a hora de o Brasil diminuir o número de ministérios. Eu defendo no máximo 20, com consequente redução no número de ministérios do PMDB. É isto que vou propor à bancada em reunião que vai ser realizada nesta quinta-feira, sobre o atual momento político", colocou o parlamentar.
SEM REFORMA
Particularmente, a presidente Dilma já avisou que não irá fazer uma reforma ministerial em seu governo. Segundo ela, não há "perspectiva" para alterar "nada nem ninguém".
"Vocês [imprensa] estão criando uma reforma no ministério que não existe. São trocas pontuais. Eu não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém mas as circunstâncias obrigam você a alterar, como ocorreu no Ministério da Educação. Não tem reforma ministerial", afirmou Dilma.
Na noite de quarta (18), o então ministro da Educação, Cid Gomes, entregou o cargo à presidente após discutir com deputados no plenário da Câmara. Dilma disse a jornalistas que a troca no comando da pasta será "o mais rápido possível."
Depois de abandonar o plenário em meio à sessão, Cid Gomes foi ao Palácio do Planalto e pediu demissão à presidente, que aceitou imediatamente. A exoneração de Cid Gomes já foi publicada no Diário Oficial da União.