A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) esta desenvolvendo um amplo movimento de mudança de nomes de escolas que homenageiam agentes patrocinadores do golpe e os ditadores de plantão. A ideia é propor projetos de iniciativa popular às Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, após a realização de amplo debate com a comunidade escolar, a fim de legitimar o pleito.
Em Três Lagoas, a presidente do Sinted (Sindicato dos Trabalhadores em Educação), Maria Diogo, disse que pretende se engajar na movimentação e que só não o fez ainda por causa da eleição no órgão. A partir de então, ela disse que fará primeiro uma reunião com a diretoria e após as deliberações, ver o tipo de ação que deverá fazer. Mas alguma medida garantiu que irá adotar.
Caso se concretize o desejo da CNTE em Três Lagoas, pelo menos duas escolas teriam de mudar de nome: a Filinto Muller, no Bairro Paranapungá e a Presidente Médice, na Vila Nova. A primeira homenageia o cuiabano Filinto Strubing Müller, um militar que participou dos levantes tenentistas entre 1922 e 1924 e durante a ditadura Vargas, destacou-se por sua atuação como chefe da polícia política e por diversas vezes foi acusado de promover prisões arbitrárias e a tortura de prisioneiros. O seu nome teria de ser retirado também de uma das principais avenidas da cidade,
Em relação ao homenageado pela outra escola, no governo de Emílio Garrastazu Médici, observa-se o auge da ação dos instrumentos de repressão e tortura instalados a partir de 1968. Foi nesse governo que os porões da ditadura ganhavam o aval do Estado para promover a tortura e o assassinato no interior de delegacias e presídios.
Para debater o assunto, a CNTE criou uma página na internet (ditaduranuncamais.cnte.org.br) para destacar o retrocesso causado para a educação brasileira e lembrar os trabalhadores perseguidos pelo regime militar.