Em entrevista ao Hojemais, o ex-vereador, ex-presidente da Câmara e também o primeiro prefeito do município de Brasilândia falou um pouco sobre a realidade política de sua época e dos dias de hoje, quando já se passaram mais de 50 anos em que esteve no poder. Para ele, a cidade corre o risco de não eleger nenhum deputado, devido ao grande número de candidatos. A cidade conta com oito candidatos a deputado federal e seis para estadual.
O ex-vereador recorda-se da época em que Três Lagoas contou com três deputados estaduais e um federal, ainda na época do Mato Grosso uno. Segundo ele, devido à distância e à dificuldade de acesso à capital Cuiabá, Três Lagoas era esquecida do poder político do Estado, que não se empenhava em fazer campanha por aqui, tendo em vista o custo elevado devido ao problema de logística. Desta forma, os candidatos se concentravam mais no norte do Estado e os partidos políticos mais influentes ficavam em torno dos antigos PSD e UDN, que recebiam a maior parte dos votos. Assim, não eram comuns os paraquedistas - que ele chama de pescadores - como nos dias atuais. E ele cita um fato importante: na época o número de deputados no Estado era de 30 cadeiras. Assim, para serem eleitos os candidatos necessitavam de poucos votos. Então foram eleitos em 1962, dois deputados do PSD, Ranulpho Marques Leal, o Tati, e Francisco Leal de Queiroz. Os dois foram prefeitos de Três Lagoas e pela UDN, foi eleito Edwards Reis Costa. Para a Câmara dos Deputados foi eleito Philadelpho Garcia, todos de Três Lagoas. Já na campanha de 1966, havia apenas dois partidos: Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Os que ficaram com o governo foram para Arena e a oposição ficou no MDB. Lembrando que o número de deputados caiu para 18 cadeiras, em 1966.
Nesse ano, Marques Neto recorda-se que ele e Osmar Dutra foram candidatos pela Arena; não foram eleitos devido à divisão dos votos. "Eu e ele éramos oriundos do PSD", observa, lembrando que o MDB lançou o Júlio de Castro Pinto, oriundo da UDN, único eleito por Três Lagoas. Na eleição de 1970, Osmar Dutra/Marques Neto voltaram a concorrer pela Arena sendo novamente derrotados na urna. Desta vez, nem Castro Pinto foi bem sucedido e a cidade ficou sem nenhum representante na Assembleia Legislativa.
Nos anos 80, com o Estado já dividido, Mato Grosso do Sul voltou a contar com três deputados estaduais (Júlio Maria, Cícero de Souza e Akira Otsubo) e um federal: Rosário Congro Neto que, em duas ocasiões deixou a suplência para assumir a vaga do titular.
Desde então, a cidade tem oscilado entre um e dois deputados estaduais, sempre com muita dificuldade.
Para Marques Neto, que acompanha de perto os acontecimentos políticos da cidade, com tantos candidatos a deputado nestas eleições, Três Lagoas corre o risco de não eleger nenhum.