No entendimento do presidente da Câmara de Três Lagoas, Jorginho do Gás (PSDB), uma das soluções para a crise enfrentada pela administração municipal é o enxugamento da Máquina. Para ele, entretanto, o número de exonerações tem de ser muito maior que o pretendido pela prefeita Márcia Moura, que deverá exonerar cerca de 100 servidores ainda este ano, visando adequar a máquina à atual realidade financeira.
O tucano diz que é impossível algum administrador ser bem sucedido (no setor público ou privado) com uma folha superior a 50% do orçamento. Ele avalia que o coerente é que a prefeitura não comprometa, com pessoal, mais de 40% do que arrecada. Nesse caso, seria necessário demitir em torno de 500 servidores, já que atualmente a folha da prefeitura inclui cerca de 4,5 mil servidores, o que compromete em torno de 52% da receita.
Além da questão do inchaço, o vereador também defende o enxugamento da máquina por existirem pessoas na administração que não estão ajudando a prefeita. “Quando a prefeita vai mal, sobra até para a Câmara”, diz.
A sugestão de Jorginho para que em 2015 não se repitam os problemas deste ano é que haja um melhor planejamento. “Estudem melhor, analisem os projetos e vejam o que pode e o que não pode ser feito; se não conseguiram agora, no ano que vem ficará ainda pior”, pondera, se colocando à disposição de Márcia para ajudá-la.
O vereador ainda observou que, caso tivessem conseguido zero de remanejamento do orçamento, certamente a prefeitura não estaria enfrentando esse tipo de problema. “Se não deu certo [a previsão orçamentária], é porque algum setor extrapolou nos gastos e acabou sobrando para a Cultura”, ajuíza.
MISSÃO IMPOSSÍVEL
O líder da prefeita na Câmara, vereador Antônio Rialino (PMDB), também defende o enxugamento da Máquina, mas afirma ser impossível trabalhar com uma redução de pessoal superior a 10%. “Isso é impossível, tendo em vista o crescimento da cidade”, frisa, observando que apesar do grande crescimento industrial da cidade, há um grande número de indústrias que ainda desfruta de incentivos fiscais e, portanto, não contribui em nada para a arrecadação no município. É o caso, por exemplo, das duas mega empresas que fazem da cidade a Capital Mundial da Celulose.
Quanto às demissões, ele explica que elas ocorreram para equilibrar as finanças do município e também tendo em vista o concurso público que irá legalizar a situação de servidores contratados.
Confira no gráfico o que a Lei de responsabilidade fiscal preconiza sobre limite de gastos com pessoal no poder público