O deputado estadual Amarildo Cruz (PT) propôs na quinta-feira (20), projeto de Lei que pede a alteração na Lei Estadual nº 3.594/08, também de sua autoria, que prevê reserva de 10% das cotas para negros em concursos públicos. Pelo projeto, o percentual passa de 10% para 20%. De acordo com o autor do projeto, a proposta de alteração na Lei já existente, baseia-se em dados oficiais que mostram o racismo praticado contra a população negra no país.
Em entrevista ao Hojemais sobre o assunto, vários afrodescendentes se posicionaram contra a matéria, por entenderem que a competência deve ser o requisito principal para a aprovação em concursos.
“É uma ótima notícia, mas ainda continuo achando que os direitos deveriam ser iguais para todos, sem diferença de ser preto ou branco”, ponderou, por exemplo, Carlos Henrique Santos.
Já Antônio Adilson Cardoso considera que cada um tem de se esforçar para obter seus fins e não se aproveitar das oportunidades. Para ele, a cota tem de ser zero por cento, e argumenta: “tem branco dizendo que é filho de antepassados negros... E daí? Minha mãe era negona e meu pai era branco e daí eu tenho direito a cota”?
Para Adriano Souza, negros, brancos, vermelhos e amarelos têm a mesma capacidade. Ele discorda, por exemplo, do mito de que os japoneses são mais inteligentes. “Negativo! Eles são mais aplicados; estudam mais”, analisa. “Já vi reportagem de pessoas que queriam falar novas línguas e aprenderam ouvindo rádios de outros países e programas com cursos especializados”, explica, finalizando que desde os 12 anos sempre dizia que seria locutor de rádio e faria Curso de Direito. “Batalhei e fiz”, finaliza, lembrando que sua família veio da roça.
Para Sônia Barbosa, cujos avós maternos eram negros nordestinos, 10% já estão de bom tamanho. Ela diz concordar com cotas, porque há injustiça nas oportunidades oferecidas tanto para negros como para pobres, que tiveram início desde o início da escolarização. “O negro geralmente, embora muito camuflado, não é bem visto; sempre o veem como inferior - como exemplo temos agora a discriminação aos nordestinos, que em sua maioria é negra ou descendente desta raça; porém, dez por cento estão bom, não vejo necessidade de se aumentar para 20 por cento”, ponderou.
Sebastião Filho também se diz satisfeito com os
dez por cento. “Como vamos acabar com a desigualdade racial se criamos leis que fortalecem a desigualdade e, por consequência, o racismo?”, questiona. “O sol que nasceu para Bill Gates também nasceu p Mandela, Will Smith e outros negros de sucesso e para outros que optaram e desistiram”, argumenta. E prossegue: “temos de lutar contra a comiseração negra e criar uma sociedade justa, de oportunidades iguais, que conquiste o mais esforçado e não o mais branco, nem o mais negro. Somos humanos antes de sermos brancos ou negros”, finaliza.
“Da minha parte acho que temos de passar pelo nosso próprio esforço e estudo e não em cima de cotas“, argumenta Adriano Estevão Barbosa, que afirma ser contra cota tanto no Estado quanto nas faculdades.
“Sou totalmente a favor”, posicionou-se Ana Paula Aparecida Santos. Ela diz que deve ser levada em consideração a história dos negros no Brasil, bem como todo o sofrimento que passaram com a escravidão. “Nada mais justo que haver uma compensação pelo tempo de injustiça e sofrimento”, frisa. Além disso, considera que o negro ainda é muito discriminado no Brasil, por empresas e pela sociedade.
“Então é uma forma de inserção do negro também na esfera pública ou privada”, finaliza.