Discutida em âmbito nacional entre a direção dos dois partidos, a proposta de incorporação do DEM ao PTB agrada a lideranças políticas de Mato Grosso do Sul.
Particularmente, o presidente regional do PTB, Ivan Louzada, já admite a possibilidade de o deputado federal Luis Henrique Mandetta, presidente do DEM em MS, assumir o controle da nova legenda a partir de eventual incorporação.
Na prática, a possível incorporação do DEM pelo PTB poderá ser responsável pela composição de duas fortes bancadas federais, uma com 12 senadores e outra com 60 deputados federais.
Segundo Louzada, para o PTB não haveria atritos, porque o partido só ganharia com isso.
“Hoje, estou como presidente da sigla em Mato Grosso do Sul, só que vejo que com a incorporação iremos caminhar com dois deputados, e nada mais justo um deputado federal vir a assumir a presidência”, sugeriu o dirigente petebista.
Em sua avaliação, ficaria mais viável até pelos contatos e o trânsito que Mandetta tem em Brasília. “Como presidente, a minha preocupação é com a sigla, fortalecer o partido no Estado. Se a melhor decisão a ser tomada for essa apoiarei. Vamos sentar e discutir a questão referente à direção estadual e as municipais com muita tranquilidade”, revelou Louzada.
O dirigente, no entanto, já enfrenta forte pressão por parte de políticos locais que tiveram campanha mal sucedida em 2014.
Derrotado para o governo nas eleições do ano passado, o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), teria procurado a direção nacional do PTB na tentativa de tomar o controle da legenda que foi presidida em MS pelo seu pai, o então deputado federal Nelson Trad, já falecido.
Louzada, porém, garante não ter conhecimento sobre as eventuais articulações de bastidores.
Por enquanto, consulta partidária está sendo realizada em todo o País entre os filiados PTB e do Democratas para discutir a incorporação, proposta que deverá ser oficializada no dia 15 de maio, quando os trabalhistas completam 70 anos de existência.
“Muito se fala em fusão entre as siglas, porém o que está em pauta é uma incorporação, o DEM pode vir a incorporar o PTB", adiantou Louzada, por meio de sua assessoria.
O partido, segundo ele, seria "independente" e constituiria a quarta força do Congresso.
“Seríamos o quarto partido do Congresso”, comemora antecipadamente o dirigente.
Para Louzada, o momento é de prévia nos Estados para se avaliar as questões locais. Nos últimos dias o partido passou a se reunir com mais freqüência para definir o melhor caminho a ser tomado.
SEM PROBLEMAS
A provável incorporação não traria problemas para o presidente do PTB em Mato Grosso do Sul. Louzada assegura que não vê dificuldades em se unir com as lideranças democratas.
Para ele, essa união pode trazer o fortalecimento de todos no Estado.
"É preciso conversar e discutir. Isso está acontecendo de forma natural. Acontecendo a incorporação em Mato Grosso do Sul somaríamos dois deputados, sendo um federal e outro estadual", colocou o dirigente, referindo-se a Mandetta e ao douradense Zé Teixeira (DEM).
Em nível nacional, a proposta foi confirmada pelo presidente da Fundação Instituto Getúlio Vargas, órgão com sede em Brasília e criado pelo PTB, ex-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo.
Ele sinalizou que a incorporação se concretizada irá abrir as fileiras de ambas as legendas para novos filiados, novas pessoas dispostas a encarar a carreira pública com vigor e determinação.
Na verdade, o DEM, do senador Agripino Maia (DEM-RN), começa a se articular para não virar um partido pequeno.
O antigo PFL, partido que elegeu 105 deputados em 1998, viu sua bancada sair de 43 deputados federais, em 2010, para 22, nas últimas eleições, e por isso pode engatar uma fusão com o PTB.