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Sete anos sem Ramez Tebet

A população três-lagoense também se sentiu um pouco órfã ao se despedir do senador Ramez Tebet

Letícia Mazarini
19/11/13 às 07h25
(Arquivo de Família)

Há sete anos o Brasil se despediu de uma das pessoas mais queridas, íntegras e de índole inquestionável; no dia 17 de novembro de 2007 a população três-lagoense também se sentiu um pouco órfã ao se despedir do senador Ramez Tebet, que tinha verdadeira adoração pela cidade natal e onde iniciou sua promissora carreira política.

Filho dos imigrantes libaneses Taufic e Angelina Tebet, Ramez nasceu em 7 de novembro de 1936 em Três Lagoas. Ele era casado com Fairte Nassar Tebet, com quem teve quatro filhos, Simone, Maria  Eduarda e os gêmeos Rodrigo e Rames. Formado em direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1957, foi na política que Ramez descobriu sua verdadeira vocação. 

Trajetória

Foram mais de quarenta anos dedicados à vida pública, chegando a atingir alguns dos cargos mais importantes do Brasil, entre eles governador do Estado de Mato Grosso do Sul e presidente do Senado, o cargo mais alto da casa legislativa brasileira.

De 1961 a 1964 Ramez exerceu o cargo de promotor público em Três Lagoas; anos depois ele se dividiu entre a advocacia e o magistério até 1975 quando foi eleito prefeito da cidade. Em 1978 ele assumiu como secretário de Estado de Justiça.

Um ano depois se tornou deputado estadual na primeira legislatura da então recém-inaugurada Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Durante os anos em que atuou como deputado estadual trabalhou ativamente na elaboração da primeira Constituição de MS, sendo o relator da constituinte.

Deixou a Assembleia Legislativa para compor a vaga de vice, ao lado de Wilson Barbosa Martins (PMDB), eleito para governar o Estado na primeira eleição direta para os governos estaduais desde a implantação da ditadura militar. Em 14 de março de 1986, quando Wilson se afastou para concorrer ao Senado, Ramez assumiu o governo. Seu mandato se estendeu até 15 de março do ano seguinte, quando deu a posse ao sucessor Marcelo Miranda (PMDB). Entre 1987 e 89 atuou como superintendente de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

Senado

A década de 90 ficou marcada pelo grande salto político na vida de Ramez Tebet; em 1994 foi eleito senador e, em uma legislatura conturbada onde senadores pela primeira vez renunciaram a seus mandatos para escaparem do risco de cassação, ganhou projeção nacional ao ser vice-líder do governo e presidir a Comissão de Ética do Senado. Em 2000 foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário.

Após o episódio da quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado em 2001, que resultou nas renúncias dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA) e do então líder do governo José Roberto Arruda (PSDB/DF) e Jader Barbalho (PMDB/PA), chegou à Presidência do Senado. Em junho de 2001, Ramez Tebet foi nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como ministro da Integração Nacional, cargo que exerceu apenas três meses.

Em setembro de 2001, Jader Barbalho também renunciou para escapar da cassação. Foi então, com a principal casa legislativa brasileira desfalcada, que um amplo acordo político de emergência resultou na saída de Ramez do ministério para ser eleito presidente do Senado, posição que ocupou até janeiro de 2003. Coube a ele a função de empossar o presidente da República eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2002, Ramez Tebet foi reeleito com a maior votação já obtida por um político de Mato Grosso do Sul: mais de 730 mil votos. Nesta legislatura, ele esteve envolvido com temas importantes da agenda política nacional como a reforma tributária e foi o relator da nova Lei de Falências. Ramez também foi escolhido membro-titular das duas comissões mais poderosas do Senado: a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos.

Herança

Ramez Tebet partiu, mas sua luta e história de vida ainda servem de inspiração para muitas pessoas. Na política ele deixou seguidores, como a filha mais velha, Simone Tebet, que herdou o  legado do pai. Eleita deputada estadual em 2002, ela deixou a Assembleia dois anos depois para assumir a prefeitura de Três Lagoas, que foi administrada pelo pai nos anos 70.

 Em 2010 ela saiu da prefeitura para assumir o cargo de vice-governadora do estado, ao lado de André Puccinelli, um dos afilhados políticos de seu pai, que começou a militar na política por influência de Ramez. Na última semana Simone confirmou sua candidatura pelo PMDB ao Senado, cargo que ela sempre sonhou e que foi exercido pelo saudoso Ramez Tebet com muita maestria.

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