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Baixa procura por vacina de chikungunya preocupa em Dourados

Vacinação tem baixa procura e cenário preocupa

Thais Constantino - Hoje Mais Três Lagoas 
29/04/26 às 14h38
Imagem: Reprodução (Campo Grande News)

Mato Grosso do Sul lidera o número de casos de chikungunya no Brasil desde o início de 2026. Mesmo diante desse cenário preocupante, a cidade de Dourados tem registrado baixa adesão à vacinação contra a doença nas unidades de saúde.

A campanha de imunização na segunda maior cidade do estado começou na segunda-feira (27), porém a procura foi reduzida nos primeiros dias. Apenas 397 pessoas buscaram atendimento nas unidades de saúde e na sala de vacinação do PAM nos dois primeiros dias. Já nas aldeias Bororó e Jaguapiru, 80 indígenas receberam a dose no mesmo período.

O secretário municipal de Saúde e coordenador do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), Marcio Figueiredo, classificou a baixa procura como preocupante. Segundo ele, o informe epidemiológico divulgado nesta quarta-feira aponta um cenário de ampla circulação do vírus, com 7.208 notificações, 5.195 casos prováveis, 2.676 confirmados, 2.013 descartados e 2.519 em investigação.

Na Reserva Indígena, a situação também é considerada grave, com 3.066 notificações, 2.427 casos prováveis, 1.708 confirmados, 639 descartados e 719 em investigação.

Outro ponto de atenção é a variação no número de internações por complicações da doença. A ocupação de leitos tem oscilado entre 32 e 40 pacientes por dia. Nesta quarta-feira, foram registradas 36 internações, sendo 22 no Hospital Universitário HU-UFGD, 3 no Hospital Cassems, 5 no Hospital Regional, 3 no Hospital da Vida e 3 no Hospital Evangélico Mackenzie.

O secretário alertou ainda para a gravidade da situação, destacando que a chikungunya já provocou oito mortes na cidade e que outros quatro óbitos seguem em investigação. “A vacina é a forma mais eficaz de proteção”, reforçou.

Dia D de vacinação

No dia 1º de maio, feriado do Dia do Trabalhador, a Secretaria Municipal de Saúde realizará um Dia D de vacinação, das 8h às 12h, em formato drive-thru no pátio da Prefeitura de Dourados.

Contraindicações da vacina

A vacina contra chikungunya não deve ser aplicada em gestantes e lactantes, pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores, indivíduos com imunodeficiência congênita, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas com HIV/Aids e portadores de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.

Também é contraindicada para pessoas que apresentem duas condições crônicas simultâneas, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade (IMC acima de 30), doença hepática crônica ou câncer.

Outras restrições incluem pessoas que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias, estejam com febre alta, tenham recebido vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.

Novos casos e avanço da doença

Dourados confirmou 122 novos casos de chikungunya, conforme boletim divulgado nesta quarta-feira (29). A taxa de positividade segue elevada, variando entre 57% e 69% nos últimos 15 dias. Ao todo, o município soma 2.676 casos confirmados e 2.519 em investigação.

Na terça-feira (28), mais uma morte passou a ser investigada por suspeita da doença, totalizando quatro notificações. A vítima mais recente é um homem indígena, de 29 anos, morador da Aldeia Bororó. Até o momento, oito óbitos já foram confirmados.

 

Apesar do cenário crítico, houve redução de 81% nos casos nas aldeias entre a 12ª e a 16ª semanas epidemiológicas. Em contrapartida, na área urbana, foi registrado aumento de cerca de 61% no mesmo período.

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