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Exames para detecção do câncer de intestino no SUS triplicam em 10 anos.

De acordo com o levantamento da campanha Março Azul, exames aumentaram de forma expressiva na Rede Pública de saúde.

Thais Constantino - Hoje Mais Três Lagoas 
23/03/26 às 11h23
foto: Divulgação | Reprodução

O número de exames realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para detectar precocemente o câncer de intestino triplicou nos últimos dez anos no Brasil.

O crescimento foi identificado em levantamento divulgado durante a campanha Março Azul , que busca ampliar a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Os dados mostram avanço significativo tanto na pesquisa de sangue oculto nas fezes quanto na realização de colonoscopias na rede pública. Entre 2016 e 2025, o número de testes de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames, representando aumento aproximado de 190%.

No mesmo período, as colonoscopias realizadas pelo SUS também cresceram. O total saltou de 261.214 para 639.924 procedimentos, avanço de cerca de 145%, indicando maior acesso da população aos métodos de rastreamento do câncer de intestino.

Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior volume de exames de sangue oculto nas fezes, com 1.174.403 procedimentos. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 693.289, e Santa Catarina, com 310.391. Já os menores números foram observados no Amapá (1.356 exames), Acre (1.558) e Roraima (2.984).

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux , o aumento está ligado ao fortalecimento das campanhas de conscientização e à mobilização de entidades médicas em todo o país.

Para ele, o movimento tem incentivado mais pessoas a procurarem serviços de saúde para realizar exames preventivos. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”, afirmou.

O especialista destaca ainda que ações realizadas por governos e instituições de saúde como mutirões de exames, iluminação de prédios públicos e atividades educativas têm ajudado a levar informações sobre prevenção para a população.

Casos envolvendo personalidades também contribuíram para ampliar o debate sobre a doença. O médico cita, por exemplo, o diagnóstico e o tratamento enfrentado pela cantora Preta Gil , além de histórias de outras figuras públicas que tiveram câncer de intestino, como o ator Chadwick Boseman e o ex-jogador Roberto Dinamite .

De acordo com análise preliminar da campanha, entre o anúncio do diagnóstico da cantora, em 2023, e a morte da artista dois anos depois, o número de exames também apresentou crescimento. Nesse intervalo, os testes de sangue oculto nas fezes aumentaram 18%, enquanto as colonoscopias cresceram 23% no SUS.

Especialistas afirmam que quando pessoas conhecidas tornam público o diagnóstico, ajudam a estimular a população a observar sintomas e buscar avaliação médica. Isso contribui para aumentar as chances de diagnóstico precoce, quando as possibilidades de cura são maiores.

Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). As informações da reportagem foram divulgadas pela Agência Brasil .

A iniciativa também conta com apoio de entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Anestesiologia , a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina .

De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), as mortes prematuras por câncer de intestino antes dos 70 anos devem crescer até 2030. Entre os fatores apontados estão o envelhecimento da população, o aumento de casos entre pessoas mais jovens, diagnósticos tardios e a baixa cobertura de exames de rastreamento em parte do país.

 
 
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