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Saúde

OMS faz alerta sobre esclerose múltipla

Data mundial reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
30/05/26 às 10h56
Foto: Reprodução

Neste sábado (30), o Dia Mundial da Esclerose Múltipla chama a atenção para uma doença neurológica crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 2,8 milhões de pessoas convivem com a enfermidade globalmente. No Brasil, a estimativa é de que cerca de 40 mil pessoas tenham o diagnóstico.

Embora ainda não exista cura para a esclerose múltipla, especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para controlar a evolução da doença. Nos últimos anos, o avanço de medicamentos e terapias contribuiu para reduzir a atividade inflamatória e ampliar a qualidade de vida dos pacientes.

Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), uma nova pessoa recebe o diagnóstico da doença a cada cinco minutos no mundo. A condição afeta principalmente mulheres e adultos jovens.

O que é a esclerose múltipla?

Considerada uma das doenças mais frequentes do sistema nervoso central, a esclerose múltipla compromete o cérebro e a medula espinhal, podendo afetar funções motoras, cognitivas, sensoriais e visuais.

O Ministério da Saúde informa que a enfermidade ocorre, na maioria dos casos, entre os 20 e 50 anos de idade, com maior incidência por volta dos 30 anos. Também é cerca de duas vezes mais comum em mulheres e apresenta menor ocorrência entre populações afrodescendentes, orientais e indígenas.

De acordo com o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema e integrante da Federação Mundial de Neurorradiologia, a doença é caracterizada por uma falha do sistema imunológico, que passa a atacar estruturas do próprio organismo, especialmente a mielina, substância responsável por proteger e facilitar a transmissão dos impulsos nervosos no cérebro e na medula espinhal.

Sintomas exigem atenção

Os sinais da esclerose múltipla podem variar entre os pacientes e surgir de forma intermitente, dificultando o reconhecimento da doença e retardando a busca por atendimento especializado.

Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga intensa, alterações na visão, formigamentos, fraqueza muscular, perda de equilíbrio, dificuldades motoras e alterações urinárias.

Como a doença pode comprometer diferentes funções neurológicas ao longo do tempo, especialistas reforçam a importância de investigar sintomas persistentes ou incomuns. Segundo Orlando Maia, muitos pacientes convivem durante meses ou até anos com manifestações neurológicas tratadas como problemas passageiros.

“O reconhecimento precoce dos sintomas é fundamental. Em doenças como a esclerose múltipla, a investigação rápida pode contribuir para preservar a qualidade de vida e melhorar os resultados do tratamento”, destaca o especialista.

Tratamento gratuito pelo SUS

Pacientes diagnosticados com esclerose múltipla contam com assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde garante tanto o diagnóstico quanto o fornecimento gratuito dos medicamentos necessários ao tratamento.

Para ter acesso às medicações, o paciente deve passar por avaliação médica, preferencialmente com neurologista da rede pública. Após a consulta, o profissional preencherá o Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME).

O documento, acompanhado de exames como a ressonância magnética e dos documentos pessoais, deve ser apresentado em uma Farmácia de Alto Custo para que o paciente possa receber os medicamentos disponibilizados pelo SUS.

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