O Sistema Único de Saúde (SUS) vai expandir a utilização de tecnologias de medicina regenerativa com potencial para acelerar a cicatrização de feridas crônicas e diminuir complicações graves, como amputações em pacientes com diabetes . A medida foi anunciada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério da Saúde .
De acordo com a pasta, a técnica utiliza a membrana amniótica em procedimentos indicados para pé diabético , feridas de difícil cicatrização e também em tratamentos oculares. O material, coletado durante o parto, possui propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes , sendo aplicado para estimular a regeneração dos tecidos.
Segundo o Ministério da Saúde, “a tecnologia pode acelerar em até duas vezes a cicatrização de feridas em pacientes com pé diabético, quando comparada aos curativos convencionais”. O uso da membrana já integra a rede pública desde 2025 para o tratamento de queimaduras extensas, e a expectativa é beneficiar mais de 860 mil pacientes por ano .
Aplicações na saúde ocular
O transplante da membrana também é indicado em casos de comprometimento da superfície ocular , principalmente em situações moderadas a graves, quando há risco de danos à córnea e prejuízo da visão. Entre as indicações estão úlceras de córnea , defeitos epiteliais persistentes , queimaduras químicas , infecções e inflamações que não respondem aos tratamentos tradicionais.
A oftalmologista Júnia Valle França explica que o uso do material tem impacto relevante, especialmente em pacientes com diabetes. “Em pacientes com diabetes, o procedimento ganha ainda mais importância, pois eles frequentemente apresentam cicatrização mais lenta e maior risco de complicações na superfície ocular. A membrana amniótica atua criando um ambiente favorável à regeneração, com ação anti-inflamatória e antifibrótica, o que ajuda a reduzir o risco de cicatrizes permanentes”, afirma.
Estudos recentes indicam ainda que a aplicação não deve se limitar apenas a casos avançados. Em determinadas situações, o uso precoce pode acelerar a recuperação da córnea e melhorar o prognóstico visual.
Tratamento complementar
Especialistas destacam que a técnica não substitui os tratamentos convencionais, como o uso de colírios antibióticos , lubrificantes e anti-inflamatórios, mas atua de forma complementar, potencializando o processo de cicatrização. Em quadros mais graves, pode inclusive reduzir a necessidade de procedimentos mais complexos, como o transplante de córnea.
O oftalmologista Tarciso Schirmbeck , do Visão Hospital de Olhos, ressalta que o uso também pode auxiliar em casos específicos relacionados ao glaucoma. “A membrana amniótica não substitui o tratamento convencional da doença, que continua sendo o controle da pressão ocular com colírios, laser ou cirurgia. Ela pode ter papel relevante como recurso adjuvante em situações cirúrgicas ou em complicações de superfície ocular associadas ao glaucoma”, explica.
Avanço no acesso à saúde
Para especialistas, a ampliação da tecnologia no SUS representa um avanço significativo no acesso a tratamentos de alta complexidade. “Isso contribui significativamente para a preservação da visão e para a redução de complicações”, destaca Schirmbeck.
Com a iniciativa, o SUS amplia o acesso à medicina regenerativa no Brasil , fortalecendo o atendimento público e oferecendo novas alternativas para pacientes com doenças crônicas.
