Três pacientes passaram, nesta segunda-feira, por um procedimento experimental com polilaminina em Campo Grande . A aplicação foi autorizada pela Justiça e integra um estudo que busca avaliar a segurança e os possíveis efeitos da técnica no Brasil.
Entre os pacientes está a aposentada Maria José , que perdeu os movimentos após sofrer uma queda de escada em dezembro de 2025. Desde então, ela ficou internada por um período e atualmente segue em recuperação em casa, ainda sem conseguir se locomover.
A polilaminina é uma molécula produzida em laboratório a partir de uma proteína encontrada na placenta. De acordo com pesquisadores, a substância pode contribuir para a regeneração da medula espinhal, especialmente em casos em que não existem tratamentos eficazes disponíveis.
A filha da aposentada, a microempresária Rosimeire Gonçalves Rocha , relatou que descobriu o tratamento por meio das redes sociais. Após buscar informações e tentar contato com pessoas que já haviam passado pelo procedimento, ela procurou apoio jurídico para garantir o acesso da mãe à terapia experimental.
Segundo o advogado Gabriel Traven , que acompanha o caso, o pedido de acesso ao tratamento pode ser feito diretamente ao laboratório responsável. No entanto, nos três casos realizados nesta semana, foi necessário recorrer à Justiça para agilizar a autorização do procedimento.
A família mantém expectativa de melhora no quadro clínico. “Uma pontinha de esperança já enche o coração”, afirmou Rosimeire. As informações são do G1 Mato Grosso do Sul .
Os procedimentos fazem parte de um estudo anunciado pelo Ministério da Saúde do Brasil e desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Médicos e pesquisadores da instituição estiveram em Mato Grosso do Sul para realizar as aplicações.
De acordo com o neurocirurgião Bruno Côrtes , o uso da substância ocorre em caráter compassivo, modalidade indicada para pacientes que não possuem alternativas terapêuticas disponíveis. Nesses casos, a medicação experimental é fornecida gratuitamente.
O pesquisador Eliel Leite explicou que o estudo deverá avançar ainda neste ano para a fase 1, etapa dedicada a avaliar a segurança do tratamento. Em fases posteriores, os pesquisadores irão analisar a eficácia da técnica e ampliar o número de participantes.
Com os procedimentos realizados nesta segunda-feira, Mato Grosso do Sul passa a contar com quatro pacientes que receberam a aplicação de polilaminina, considerando a primeira aplicação realizada no estado em janeiro deste ano.
