Na audiência pública que a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou há alguns dias em Castilho, os depoimentos de pescadores, seus representantes associados, empresários e empreendedores do turismo foram unânimes em alertar para situações graves que estão ocorrendo no rio Paraná e que aceleram o processo de destruição da fauna e também da flora submersa.
Uma massa de algas vem se assentando no fundo do rio. Os mergulhares já constataram que esse sedimento vem formando uma cama de cobertura sobre todo o leito do rio. E o pior de tudo: os peixes começam a aparecer com essas algas no estômago. Para os ribeirinhos a culpa é da nova administração da usina de Jupiá que nas mãos dos chineses, deixou de recolher as algas que desciam principalmente do rio Tietê, onde elas mais se acumulam por causa da poluição orgânica. Mas, na verdade a culpa é mais em cima.
Segundo relatos dos moradores das margens do rio e de especialistas, a pesca predatória está acabando com todas possibilidades de desenvolver um projeto de turismo lucrativo com a pesca esportiva, ou limitada.
A defesa da pesca extrativista é a decretação do fim de um potencial aquático que poderia ser infinito. Os empresários tem medo de se indisporem com os tradicionais clientes. Mas a mudança deveria ser radical. Tudo está nas mãos dos piloteiros que acompanham os turistas e dos proprietários de pousadas. Se é para respeitar o limite, que seja estabelecida e respeitada e que nenhum comerciante roa a corda para ter lucro sobre a irresponsabilidade ambiental.
O sumiço dos peixes a cada pós-piracema, demonstra que a ação do homem predador está sendo maior que a produção possível da natureza. A responsabilidade não é somente da Polícia Ambiental, mas da Receita Federal, do Ministério Público Federal e de toda sociedade que vem covardemente se calando ante ao descalabro de poluição e destruição do rio Paraná.