TRÊS LAGOAS (MS) - A pecuária nacional tem grandes nomes que construíram o maior país produtor de proteína animal no mundo. Um deles é Cláudio Fernando Garcia de Souza, o popular “Cláudio Totó”, cidadão e morador de Três Lagoas (MS).
São produtores como ele quem preconizaram a grandeza que o Brasil é hoje no fornecimento de carne para o mercado interno e para o mundo.
Em 1986 ele ficou famoso, mas foi chamado de louco por promover um dos mais importantes leilões de gado na história da Pecuária Nacional, quando colocou à venda mil vacas Nelore P.O. ( Puro de Origem). Elas foram arrematadas por dezenas de pecuaristas em todo país e ajudaram disseminar a raça, sua marca e ajudando estabelecer o Nelore como a base da pecuária Nacional. “Com o lucro desse leilão comprei 10 mil bezerros”, diz ele.
Claudio Totó, hoje aos 77 anos, é um dos raros guardiões da raça Nelore no Brasil. Em 2011 ele publicou um livro sobre seus 50 anos de trabalho na seleção. O prefácio desse livro com 420 páginas, foi escrito por seu compadre e também pecuarista treslagoense Orestinho Prata Tibery, que faleceu anos depois num acidente aéreo.
Orestinho escreveu assim se referindo a Totó “Fala de política internacional, da Constituição Brasileira, de saúde, educação, segurança, o não aproveitamento do nosso potencial agrícola, sempre lamentando que, se tudo isso fosse tratado com seriedade seríamos o melhor país do mundo”.
Mas no livro e na vida, Cláudio Totó mostra sua vertente literária e autodidata, pois passou pouco tempo na escola. Concluiu apenas o segundo grau no Rio de Janeiro, para onde ia a maioria dos filhos de pecuaristas bem sucedidos no Mato Grosso do Sul. Quem está longe na vida no campo, provavelmente não vai entender boa parte do vocabulário que Totó faz uso em seu texto. As narrativas são intensamente ricas em registro da natureza do cerrado mato-grossense e na cultura do caboclo dessa região. A tal ponto que algumas citações tornam incompreensíveis sem a tradução de alguém que entenda do assunto.
O livro tem ainda uma homenagem ao pecuarista, dentista e poeta andradinense Jorge Nakaguma, que na mesma linha de profundidade cultural rural, escreve em “Terra da Esperança”, uma sequência incrível que “fotografa” a natureza dizendo: “Terra fresca de embauva, a banada dos macacos/ Tem barriguda, a paineira nativa/ Tem jaracatiá, o mamão da floresta/Terra de Ipê roxo para as tábuas do curral”.