Em primeiro lugar o vídeo é unilateral porque mostra só a mãe acusando. A mãe expressa sua indignação afirmando que os “comunistas” tomaram conta da escola onde sua filha estuda e que por causa disso, trocou os planos que a família tinha para com ela e que certamente era de ganhar muito dinheiro, para ser pobre e ajudar os pobres, cuidando de pessoas necessitadas.
A mãe afirma que sua filha sofreu lavagem cerebral e que os intelectuais da esquerda fizeram a cabeça dela, a ponto dela mudar complemente de vida. A filha escreveu nas redes sociais que nunca se entendeu com a mãe e que saiu de casa por causa das péssimas relações que tinham.
Qual a diferença dessa mãe de Sorocaba que acha pecado a filha ser “comunista”, daquela da novela que não aceitava a filha assumir sua identidade sexual não convencional?
Nenhuma. Inclusive o processo educacional que, as duas mães: da ficção na novela e da vida real em Sorocaba, não atraiu suas filhas. O discurso dos professores “de esquerda”, como afirmou a mãe, na verdade não roubou a formação que ela deu para a filha; mas a despertou para um sentido da vida com uma educação transformadora e revolucionária que vai além do viver para ter as coisas. E qual o crime em ser radical nesse princípios de paz?
O desejo de mudança é inerente à vida de um adolescente. Os discursos de um mundo melhor, com menos desigualdade, mais amor e respeito pelas pessoas empolgam as crianças e os jovens que devem ser estimulados para desenvolver o senso crítico, buscar alternativas e descobrir formas novas de relações humanas. Se estão sendo “comunistas” é porque a outra opção que se apresenta não causa interesse ou é desacreditada. Ou a nossa forma de viver não precisa de mudanças? Muitas vezes defendemos mudanças, mas desde que não seja em nossa casa.
Quando a sociedade coíbe essas expressões e opções, os jovens se encantam apenas pelas motos, carros, computadores, baladas, roupas de grife e também pelas drogas. A mãe de Sorocaba deveria agradecer a Deus por sua filha ter optado em defender os pobres, em qualquer que seja a militância. Descobrir nossos dons e coloca-los à serviço de um mundo melhor...Quem é velho não gosta dessas palavras, principalmente se já estiver vivendo de uma boa aposentadoria.