Nem diria que foi o “socialismo”, mas o Partido dos Trabalhadores, o Lula e corrupção desnudada, que resultaram num crescente movimento de revolta junto à população brasileira. As últimas pesquisas indicaram que a maioria esmagadora dos brasileiros é contra o retorno do Regime Militar, é contra o desrespeito à Constituição e que a democracia deve ser preservada e valorizada.
O nome do partido do candidato que mais cresceu na preferência nacional, é o PSL – Partido Social Liberal. Com esse “Social” está claro que existe um fundo de “esquerda” até nos chamados “partidos de direita” aqui no Brasil. Portanto até o partido do senhor Bolsonaro fala em postura em favor das pessoas e não do mercado.
Está muito provável que a vez será de Bolsonario, ou mesmo que não fosse, é nele que se está descarregando todo ódio contra os “realdutos” clandestinos que promoveram uma outra administração dentro do Governo do PT: aquela que favoreceu somente os amigos, as causas partidárias e todo desejo de ser poder não mais pela conscientização sobre a realidade social e história brasileira, mas pelo dinheiro, pelo faturamento. Não pela Educação e Cultura, mas pelas normas do mercado econômico, pela ampliação do Estado sobre os meios de produção e o fortalecimento da ideologia com o dinheiro.
Na posse do poder o PT evoluiu o Brasil na distribuição de renda. Então vejamos. Ajeitou-se com os banqueiros que nunca ficaram tão felizes, aproveitou o bom momento econômico mundial e chamou de “marolinha” os sofrimentos do primeiro mundo para controlar a moeda. E descarregou dinheiro em países sul americanos e na África, como se fosse a nova potência mundial que socorreria todos os pobres do mundo. Mas se esqueceram dos pobres daqui mesmo. Tivemos uma desastrosa política internacional que até hoje só serviu para empobrecer o Brasil e provocar ira nos Estados Unidos. Quebraram a Petrobrás.
A Reforma Agrária, se bem feita, excluiria as transferências de renda, como Bolsa Família. Produzir alimentos e valorizar a agricultura familiar, seria usar esse dinheiro para comprar alimentos da reforma agrária e doar aos pobres. Mas o governo dá dinheiro porque seria “mais digno”, pois inclui outros setores da economia como beneficiados. Porém, se é para fazer dar certo a Reforma Agrária, melhor que o dinheiro social circule entre os preferencialmente mais pobres, e não para pagar prestações das Casas Bahia.
Mas alguns petistas não gostam de ouvir isso. Eles acham que é transformar o sítio num módulo do agronegócio. Mas não se trata disso. Fortalecer a Reforma Agrária é a maneira mais justa de distribuir a renda e ao invés de dar dinheiro, ensinar a ganha-lo com o trabalho diário e a transformação do mundo. Mas muitos petistas de fato acham que a reforma agrária é para a subsistência, ou seja, para trocar a favela por uma rede entre dois coqueiros com uma horta e algumas galinhas na zona rural.
Tudo que se condenava no passado, era o assistencialismo e a marginalidade educacional que transformam as pessoas em massa de manobra. Mas os chamados governos de esquerda, incluindo o de Fernando Henrique Cardoso, foram incompetentes e incapazes de praticarem o que defendiam nos discursos. Estabeleceu-se a distribuição de dinheiro pelo o Bolsa Família, e de fato, ampliou-se a geração de dependentes. Os últimos dados divulgados pelo IBGE na pesquisa de 2017, mostram que 20% da população rural é analfabeta. A Educação de fato atingiu mais gente pobre, a nível superior. Mas ainda temos alunos deixando o primeiro grau sem condições de fazer uma leitura em público.
O PT definiu uma estratégia suicida na campanha de Haddad, quando decidiu vincular Bolsonaro ao retorno da ditadura militar. Aliás esse também foi um desejo manifesto de muitos eleitores dele. Inicialmente Bolsonaro não desmentiu essa confusão de que tomaria posse e entregaria o comando ao Exército, ou que estabeleceria um governo ditatorial, com o fim das liberdades individuais, o fechamento do Supremo e do Congresso, o fim do 13º salário e a reforma total da Constituição.
Ao longo da campanha, Bolsonaro mudou, ou definiu melhor o seu discurso, amenizando algumas posturas para ganhar votos dos liberais. E pelo jeito tem conseguido. Ele é doido mas não é burro. Jurou fidelidade à Constituição e garantiu a liberdade da imprensa. Esses foram os dois pontos básicos da Revolução Militar: o estabelecimento de um Estado com Leis de Exceção e o controle das notícias que eram divulgadas. Daí muita gente achar que durante a Didatura não havia sequer crimes, nem revoltas populares. Elas simplesmente não eram divulgadas e quem as divulgava era torturado, preso e até morto. Os mais famosos iam para o exílio, onde viveram melhor que no Brasil.
Sobre o emprego da violência e todos os exageros do senhor Bolsonaro, as leis brasileiras se encarregarão de frear esses ímpetos, mesmo porque embora sinalize que todos poderão andar armados, o controle rígido de armas e o desarmamento de quem não precisa já foi aprovado pela população brasileira. O direito à Legítima Defesa, também está garantido no Código Penal, de maneira que trata-se apenas de uma sinalização, muito infeliz de se partir para a violência para enfrentar a violência. Aí vai precisar de dialogar e ouvir sempre a população. Mesmo porque se for eleito, como preveem as pesquisas, Bolsonaro ainda terá uma nação divida.