O jornalista e ex-diretor do Jornal O Estado de São Paulo, Adhemar Oricchio faleceu hoje em São Paulo. Foi um dos principais professores do meu jornalismo de prática. Pessoa que exercia o sábio comportamento de servir, aos jornalistas. Ele estimulava os profissionais a darem o melhor de si e não cobrava além do combinado, mas fazia sempre além de suas funções se fosse para defender o direito dos colegas subordinados.
Participava e agia na vida pessoal de cada um para socorrer nos piores momentos. Foi com ele que aprendemos que a autoridade vem da confiança e o que antes parecia apenas humildade, na verdade era uma grande sabedoria.
Ele comandou toda rede de jornalistas do Estadão, correspondentes no Interior de São Paulo, quando a equipe era formada por mais de 300 colaboradores. Tão eficientes que o Tribunal Eleitoral de São Paulo costumava recorrer aos números levantados pela rede de correspondentes, para conferir com os dados oficiais, sempre com baixíssima margem de erro.
Com Adhemar o interior de São Paulo ganhou importância e passou ser visto como potencial de grande desenvolvimento, com opção de buscar uma qualidade de vida melhor e de fugir da concentração das grandes megalópoles. Com a edição de Adhemar, o interior ganhou mais espaço e os correspondentes passaram a ter matérias aproveitadas em todas as seções do jornal. Uma das mais importantes foi do Suplemento Agrícola.
Meu coração está entristecido pela sua passagem. Tenho certeza que durante sua vida, tudo que acumulou ele está levando com ele: simplicidade, respeito, equilibrado, verdadeiro, humano no sentido emotivo, compreensivo, tolerante e disposto a fazer tudo para que ao seu lado, todos trabalhassem com alegria, satisfação e realização.
Adhemar é o tipo de chefe dos sonhos. Aquele que me jogava a acreditar em tarefas gigantescas como escrever sobre o Papa João Paulo II e depois acompanha-lo em sua segunda peregrinação pelo Brasil. Minha capacidade, sim, mas a mão maior foi do amigo, do paizão que adorava ver seus pupilos elogiados. Nunca sentiu inveja do outro, nem foi traidor.
A prova máxima dessa relação de amor e respeito, que extrapolou o entrosamento profissional, é que há 38 anos os ex-correspondentes do jornal O Estado de São Paulo, que participaram desse período ( décadas de 80 e 90 ), se reúnem todos os anos numa cidade do interior. Esse será um ano de ausência, pela tristeza que abate à todos nós, apesar da certeza de que ele foi para o céu. Obrigado grande Adhemar, do seu sempre “Praga Véia”!!