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Lixo: solução não é aumentar o aterro sanitário

Em São Paulo prefeito vai preso por não cuidar direito do meio ambiente. Pelo que já denunciamos aqui parece que no Mato Grosso do Sul não tem lei ou não tem servidores da Justiça comprometidos.

Antônio José do Carmo
19/06/18 às 07h45

 A destinação dos resíduos sólidos já consumiu vários milhões de reais em projetos. O Governo Federal exigiu de cada município, um plano para que não existam mais lixões no Brasil e que a coleta seletiva reduza ao máximo ou até elimine como nos países desenvolvidos, a presença dessas montanhas de produtos jogados fora, mas que deveriam ser reaproveitados.

 A prisão do prefeito de Murutinga do Sul Gilson Pimentel ( PSDB) ocorrida na semana passada e que resultou em uma noite na cadeia, não deveria servir apenas de roteiro para os discursos políticos de oposição, mas para que toda nossa sociedade refletisse sobre a participação de cada um nessa história.

Pimental é simbólico. Ele é o prefeito presidente de um Consórcio Intermunicipal que há mais de quatro anos discute uma alternativa para se instalar uma atividade industrial que utilize todo lixo dos municípios da região. Uma vez comentamos aqui que os prefeitos se reuniam, discutiam, mas que o projeto não andava.

 Enterrar o lixo é jogar para debaixo do tapete a sujeira de casa. É literalmente isso. Uma hora vai acabar o tapete. É o que está ocorrendo hoje em Andradina, Mirandópolis, Murutinga do Sul, Ilha Solteira, Castilho e praticamente todos os municípios do interior de São Paulo. Não há espaço que chegue.

Os aterros sanitários foram a alternativa mínima recomendada pelos técnicos ambientais do Governo, para impedir que os lixões continuassem atraindo milhares de pessoas para conviver ao lado de coisa fedida, podre e disputando espaços com os urubus. Aspectos como infiltração do chorume pelo lençol freático e o acúmulo de gases que podem provocar grandes explosões também não são fiscalizados.

Então a gente faz o seguinte: se não suportamos ver esses pobres se misturando com o lixo, então vamos enterrar o lixo. E os pobres? Bem, a gente entrega o lixo para eles separadinho para que possam vender e ter salário digno, com uma vida bem melhor.

Na teoria isso ganha Prêmio Nobel e os ambientalistas entram em êxtase. Mas na prática o projeto se esbarra na falta de consciência ambiental, na falta de Educação. Os projetos não caminham porque a população é despreparada, desinteressada e não consegue se unir pelos princípios coletivos, mas apenas pelos interesses individuais. Nem em Ilha Solteira, com nível cultural dos mais elevados da região e com uma população mais madura, conseguiu até hoje reduzir a quantidade de lixo reciclável que vai para debaixo da terra.

Bem sobre o Mato Grosso do Sul? Nós já fizemos muitas matérias mostrando a destinação que se dá ao esgoto e ao lixo em muitas cidades. A Justiça permite que se construa asfalto sem rede de esgoto e os promotores estão há 10 anos esperando que os prefeitos cumpram promessas de construir um grande sistema de tratamento para o resíduo sólido de várias prefeituras. E tudo fica na conversa enquanto nossos rios estão sendo destruídos. 

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