Escrever na primeira pessoa, peças do jornalismo de redação e imagem. Contar experiências profissionais que ficaram na lembrança. Essa é a finalidade dessa série. Um documento pessoal livre para quem gosta de imprensa, jornalismo e leitura. Só coisa mal escrita fica prolixa. Espero ser sucinto em cada entendimento.
Nós somos tudo com a informação e nada somos sem ela. O jornalista vale pelo que escreve. E tem que ser novidade. A notícia tem que ser mais importante que a forma. É um jornalista quem define como vai ser a reportagem, e para isso faz o texto. Ele precisa ser rico de argumentos e articulado, recheado de narrativas e opiniões dos outros.
Uma pauta quente derruba sempre a pauta fria. Quando o jornalista deixa de escrever, ele desce da nau da história e se estabelece numa ilha qualquer para o esquecimento. Sem o novo, o diferente, o curioso e excepcional ele não vive. A vida e o jornalismo são tudo, ao mesmo tempo e agora. Mas há passados desconhecidos que também se tornam histórias atuais, muitas vezes apenas pelo ângulo de observação de fatos que eram tidos como previsíveis.
Por algum motivo essas memórias que virão a seguir se tornaram importantes ou significativas. O inusitado é sempre predominante. E respeitando essa desordem mental, pretendo apresentar aos que nos leem, um pouco da história de revolução nos meios de transmissão de conteúdos de textos, sons e imagens. Como a informação impressa era lenta E qual o caminho que passou para se tornar instantânea.
INEDITISMO
Faço parte da geração que em 40 anos acompanhou a evolução da máquina de escrever mecânica até os atuais note books, como protagonista e observador da história. Do telefone orelhão como único meio de comunicação instantânea até o smartphone as mudanças exigiram de cada jornalista, uma preocupação a mais além da cobertura do fato, mas do enfrentamento de concorrência mais cruel de todos: o tempo.
Era tão dolorosa essa competição que os maiores jornais do Estado de São Paulo, Estadão e Folha de São Paulo, fizeram um acordo econômico para que os exemplares fossem transportados num mesmo veículo até as bancas e assinantes. As despesas de transporte reduziram, mas também deram um refresco na paranoia de correr contra o tempo.
Fotos, som e imagem só chegavam ás redações na forma física do filme em película, impressa ou na fita magnética. O material na maioria das vezes tinha um custo absurdo para chegar à redação. Iam de avião ou ônibus. Taxi ou motociclistas.
Vocês imaginam que em meados de 1980, já com os computadores facilitando a comunicação, surgiu o fax como um mecanismo de grande agilidade. A Agência Estado, que faz parte do Grupo Estado, encontrou um filão de mercado. O mundo já havia descoberto que os lentos seriam os pobres e os rápidos seriam os ricos.
Então a Agência Estado lançou produtos de informação que seriam mais rápidos que o jornal impresso. As manchetes dos jornais e os noticiários específicos, que hoje a gente acessa na internet apertando algumas teclas, naquela época eram enviadas da redação em São Paulo para os aparelhos de fax instalados nos escritórios de correspondência jornalística.
Os aparelhos de fax custavam caro e nem todos tinham o equipamento em casa ou no escritório. Havia também a limitação de conhecimentos. A gente recebia esse boletim chamado “News Leters” por volta das 6 horas da manhã, tirava cópias e levava imediatamente até os escritórios dos assinantes. Com ele as principais informações do dia eram antecipadas em pelo menos quatro horas. Esse era o tempo que a notícia do dia, impressa nos jornais convencionais, demorava para chegar até a maioria das cidades interior de São Paulo. Para muitos empresários, essa antecipação era valiosa. Hoje entre os lentos e rápidos há uma voçoroca.