Algumas histórias chegam até nós por acaso e outras parecem encontrar o caminho certo até serem contadas.
A história de Samuel Falco Dias dos Santos , o Samuel Sanfoneiro , de apenas 15 anos, é dessas que começam com uma pequena sanfona de brinquedo, passam pelas mãos de um avô apaixonado pela música e chegam aos palcos carregando muito mais do que acordes.
Natural de Três Lagoas, esse jovem talento cresceu cercado pela música e encontrou no avô, o renomado músico Moacir, do grupo Azes do Chamamé , uma de suas maiores inspirações.
Quando ainda era muito pequeno, ganhou dele uma sanfoninha de brinquedo. O que poderia ter sido apenas mais um presente de infância acabou despertando uma paixão que, anos depois, se transformaria em sonho e em uma trajetória musical.
Aos 10 anos, Samuel pediu à mãe que o colocasse nas aulas de música da Cultura. Com dedicação, apoio da família e, principalmente, a presença do avô como seu grande ídolo e incentivador, começou a desenvolver aquilo que já parecia estar dentro dele.
Dia após dia, a criança que brincava de tocar foi se tornando músico e vieram as primeiras participações em eventos e bailões, ao lado de nomes como Gregório, Tostão e outros amigos. Vieram também os desafios, as portas que não se abriram e os momentos difíceis em que talvez fosse mais fácil desistir.
MAS SAMUEL ESCOLHEU CONTINUAR!
A caminhada ganhou novos capítulos até chegar a um dos momentos especiais de sua trajetória: a participação em um show de João Bosco & Vinícius , uma experiência que marcou sua história na música e ajudou a ampliar a sua visibilidade.
Desde então, novas oportunidades começaram a surgir e portas profissionais passaram a se abrir, mas quem observa Samuel tocar, percebe que existe algo ainda mais profundo nessa história.
Ele não está apenas aprendendo um instrumento. Está dando continuidade a uma tradição musical familiar .
A sanfona é seu instrumento. Seu estilo passa pelo chamamé raiz, bailão e sertanejo , mas a essência, segundo a família, vem do avô - está na veia.
A sanfona que carrega uma história familiar.
Samuel já começa, inclusive, a escrever suas próprias músicas. Entre suas composições estão chamamés de sua autoria feitos em homenagem ao avô Moacir e também a Gerson, ex-integrante do grupo Tradição .
São criações que revelam que aquele menino que um dia recebeu uma sanfoninha de brinquedo já começa a construir sua própria identidade artística.
Mais do que reproduzir aquilo que aprendeu, Samuel começa a transformar a influência recebida em algo próprio.
A música que chegou pelas mãos do avô agora ganha novos caminhos pelas mãos do neto.
Samuel é autista e quer ser reconhecido pelo músico que é.
Existe ainda uma parte importante da história de sua vida que Samuel faz questão de contar. O jovem e talentoso sanfoneiro de Três Lagoas é autista .
Mas, ao falar sobre sua trajetória, ele faz questão de que o autismo não seja o ponto final — nem a única característica usada para defini-lo.
“Eu não quero que as pessoas olhem para mim e enxerguem apenas o autismo. Quero que enxerguem o músico, o sonhador, o guerreiro e a pessoa que nunca desistiu”.
A declaração resume muito do adolescente que está diante do instrumento, pois ele sabe que enfrentou desafios e sabe que encontrou diversas portas fechadas.
Sabe também que a sanfona é um instrumento difícil . Mas sabe que cada etapa percorrida ajudou a formar o músico que está se tornando.
Para ele, cada acorde carrega uma lembrança. Cada música representa uma conquista. E cada oportunidade é mais um passo em direção ao sonho.
A mãe Sarah acompanha essa caminhada de perto e testemunha um filho que segue se superando, buscando novas oportunidades e lutando diariamente para conquistar o seu espaço na música.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das partes mais bonitas dessa história: Samuel não está esperando que alguém determine até onde pode chegar. Ele está tocando. E enquanto toca, vai abrindo seus próprios caminhos.
Um jovem talento de Três Lagoas com um sonho chamado música.
Aos 15 anos, Samuel Sanfoneiro já sabe o que quer. Pretende seguir na música e trabalha diariamente para conquistar seu espaço, aperfeiçoar seu talento e ser reconhecido pelo que faz. A história começou com uma sanfoninha de brinquedo entregue pelo avô. Depois vieram as aulas, os bailões, os encontros, os palcos, os desafios, as oportunidades e as próprias composições. Agora existe um novo capítulo sendo escrito. E talvez o avô Moacir, ao olhar para aquele menino com a sanfona nas mãos, reconheça muito mais do que seu próprio legado. Reconheça a continuidade de uma história. Uma história que começou em uma família apaixonada pelo chamamé , atravessou gerações e agora encontra em Samuel uma nova voz. Ou melhor, uma nova melodia. Porque Samuel Sanfoneiro não quer apenas tocar as músicas que aprendeu. Ele quer fazer música. Quer construir sua história. Quer ser lembrado pelo talento, pela dedicação e pelos sonhos que decidiu não abandonar. E, com apenas 15 anos, já deixou uma mensagem que ultrapassa as fronteiras da música: “Eu sou o Samuel, e a minha história é feita de superação”.
Talvez seja justamente por isso que sua sanfona soe tão especial. Porque nela não estão apenas notas musicais. Estão o amor pelo avô, a memória de uma família, a tradição do chamamé , as portas que se abriram e as que permaneceram fechadas, as conquistas, os sonhos e a coragem de continuar.
E enquanto Samuel continuar acreditando, haverá sempre uma nova música esperando para ser tocada. " O menino da sanfoninha de brinquedo cresceu. E agora é ele quem começa a escrever sua própria história na música de Mato Grosso do Sul".
