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Covid-19: Grávidas recorrem a parto domiciliares por medo do contágio

No Brasil, até quem nunca cogitou ter um parto fora do hospital tem optado por ter um parto humanizado

Thais Dias  - Hojemais Três Lagoas
22/04/20 às 13h48
Foto: Reprodução

A orientação do Ministério da Saúde para evitar o contagio do novo vírus, é muito clara: Fique em casa! Há milhares de pessoas espalhadas no mundo em quarentena, mas quem está grávida? Como se manter tranquila com a possibilidade de dividir o hospital com pessoas infectadas?

Pensando no bem-estar da mamãe e do bebê, muitas mulheres grávidas optaram por ter um parto humanizado. Embora não se tenha números oficiais, as experiências recentes de doulas, hospitais e enfermeiras obstétricas apontam para um grande crescimento, em especial nos últimos três anos, na procura por partos em que se possa viver a experiência do nascimento em toda a sua plenitude.

Parto humanizado nada mais é do que trazer um filho ao mundo respeitando e assegurando todos os desejos da mãe, desde a escolha da posição e do local para dar à luz. Tudo sem pressa, respeitando o tempo da gestante e do bebê e realizado em lugares que vão desde uma piscina de plástico na sala de casa, devidamente adaptada, até o quarto de hospital geralmente com assistência de uma doula. Aliás, a quantidade de doulas em ação no mercado é um dos indicativos do aumento da procura pelo parto humanizado.

Com a pandemia algumas mudanças foram implantadas nas maternidades, buscando assim evitar o contágio da doença.

A enfermeira obstétrica, Kaelly Virginia de Oliveira Saraiva, que também é doutora em Enfermagem, professora adjunta dos cursos de medicina e enfermagem da UFMS e membro fundadora da ABENFO (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstétricas), explicou como essas mudanças afetam as mulheres na hora do parto.

 

Os partos domiciliares no Brasil são muito caros para uma paciente do SUS, então infelizmente é uma prática restrita a pessoas mais abastadas, a gestante tem o direito ao acompanhante no trabalho de parto. Isso é um direito que foi mantido pelas recomendações mundiais para as mulheres que parem na época da epidemia de Covid 19, porém vários hospitais e maternidades tentaram tirar esse direito no Brasil, infelizmente.

Mas o acompanhante no pós-parto pode ser mantido em hospitais que disponibilizam quartos individuais, chamados de PPP (pré parto- parto - pós-parto), ou enfermarias com poucos leitos (no máximo três). Esses detalhes ficam a cargo dos hospitais de acordo com seus espaços físicos no alojamento conjunto onde ficam as mulheres depois de dar à luz.

Há hospitais que confinam várias mulheres numa única enfermaria, e digo isso com uma enorme crítica a esses hospitais que transformam o alojamento conjunto num ambiente péssimo cheio de mães, bebês e acompanhantes. Nesses hospitais onde há esse tipo de confinamento tem sido muito complicado manter os acompanhantes.

O que tem se recomendo é que se a mulher após parir e o bebê estiverem bem, recebam alta do hospital em 12h se parto normal, e em 24h se for cesariana, muitos hospitais estão dando essa alta mais cedo porque os riscos são a contaminação do coronavirus no próprio hospital, difundida pelos profissionais que transitam e no próprio ambiente hospitalar

Mas ficar no pós-parto de um hospital sozinha com seu bebê é difícil pois as equipes de enfermagem são compostas por um número insuficiente de profissionais. Se antes uma mulher no pós-parto podia contar com seu acompanhante para ir ao banheiro ou amamentar seu bebê, agora tudo tem que ser feito com a ajuda de alguém da enfermagem, exigindo mais da equipe que muitas vezes não vai conseguir atender essa mulher no tempo adequado.

“Eu defendo a presença do acompanhante no pós-parto também. E para os hospitais que confinam muitas mulheres numa única enfermaria, que adequem seus leitos de acordo com as normas da ANVISA. Que façam a coisa certa e que aproveitem o momento da pandemia para ajeitarem as coisas erradas”, frisou Kaelly.

Sobre as recomendações de cuidados, a enfermeira destaca que as gestantes devem seguir todas as medidas já anunciadas para o público em geral, como lavar as mãos, evitar aglomerações, usar álcool em gel, entre outras.

Kaelly, comentou sobre o medo das gestantes em meio a pandemia. Por último quero recomendar que as gestantes devem cumprir o isolamento social completo (horizontal), e não apenas o parcial ou seletivo (vertical). Essa regra deve valer durante o puerpério também, que são os 42 dias de pós-parto

O mesmo tem que ser feito com seus familiares. Então nada de visitinhas de boas-vindas ao bebê, infelizmente não pode. Se a mãe estiver com algum sintoma gripal, deve amamentar de máscara e lavar as mãos antes de pegar no bebê e em objetos dele, o mesmo para o pai e outros familiares.

É também muito importante que amamente a criança com leite materno, pois o leite humano possui substâncias antivirais que parecem proteger a criança do coronavirus. São o que as primeiras pesquisas indicam.

“E reforço que não mantenham uma cultura do medo de que vão adoecer ou os bebês. Basta adotar os cuidados recomendados na mídia. O nascimento de um filho, especialmente por parto normal, é um momento único na vida de uma mulher e deve ser preservado como um momento de alegrias e de vitórias”, conclui Kaelly.

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