Araçatuba é a segunda cidade sede de região no Estado de São Paulo em número de cidadãos com carteira de habilitação, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito).
No município, são 136.690 condutores habilitados para uma população estimada de 199.210 moradores, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que corresponde a 68% da população local.
Esse percentual está bem acima da média estadual, de 55% da população a habilitada. O município de São Paulo, por exemplo, com população estimada de 12,4 milhões, possui 6,2 milhões de carteiras de habilitação registradas, o que representa 50% da população habilitada.
Santos
O maior percentual entre os municípios sede de região é o da cidade de Santos, com 72% da população habilitada (315.820 condutores de um total de 433.991 habitantes). Campinas, com 1,2 milhão de habitantes, tem 776.691 condutores (63%).
Os municípios de São José do Rio Preto, Marília, Presidente Prudente, Franca e Barretos possuem 64% de sua população com CNHs registradas no Detran.
Dos 46,6 milhões de cidadãos paulistas, 25,9 milhões possuem CNHs registradas no Departamento de Trânsito. O levantamento foi realizado com base nos dados de julho de 2021.
Coletivo
Para o presidente do Detran, Neto Mascellani, esses números revelam o impacto que um sistema de transporte coletivo integrado, como o que existe na capital, exerce sobre a utilização do veículo particular no cotidiano dos cidadãos.
O arquiteto e professor de Planejamento Urbano da PUC-Campinas, Thiago Amim, explica que a dispersão urbana de cidades menos adensadas e mais espalhadas do que a capital acarreta em uma procura maior pelas habilitações e, consequentemente, a utilização de veículos particulares.
“O desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo e de sua densidade populacional viabiliza a utilização de mais transportes públicos como linhas de trem, metrô e ônibus”,
comenta.
Verticalização
De acordo com ele, no interior há a verticalização dos municípios e a dispersão dos habitantes em áreas maiores e mais distantes, o que dificulta uma caminhada a pé ou a utilização de um transporte público, que leva muito mais tempo do que uma viagem de carro ou moto.
“Além disso, muitas cidades são circundadas por rodovias, o que motiva também a procura pela habilitação”,
ressalta.
De acordo com ele, outro ponto que envolve a procura pela carteira de habilitação é o chamado
“movimento pendular”,
realizado normalmente por pessoas que viajam de um município para o outro diariamente.
“No interior há a necessidade de um deslocamento maior, sem tantas opções de transporte público como na capital. Isso também reflete na busca pela habilitação”,
finaliza.