Cotidiano

Araçatuba tem exército de 'anjos' para tentar combater a mortalidade infantil

Anjo Azul é nome dado a enfermeiras e auxiliares de enfermagem encarregadas de acompanhar gestantes

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
28/07/19 às 12h43
Profissionais que atuam com Anjos Azuis se reuniram na sexta-feira para discutir ações (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

Casos divulgados pelo Hojemais Araçatuba entre o final de junho e o início deste mês chamam a atenção para a mortalidade infantil no município. Familiares de duas crianças procuraram a polícia para pedir que as causas das mortes de bebês durante o parto na maternidade da Santa Casa da cidade sejam investigadas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro a junho foram registradas 17 mortes de crianças em Araçatuba. O número é um pouco menor do que o do mesmo período do ano passado, quando foram 19 óbitos confirmados.

Para tentar reduzir esses índices, a Prefeitura conta com um “exército de anjos”. Esse é nome dado a enfermeiras e auxiliares de enfermagem encarregadas de acompanhar as mulheres durante todo o período gestacional e até os 45 dias de vida do bebê.

A ação é chamada de “Anjo Azul”, que faz parte do projeto “Azul”, implantado no segundo semestre do ano passado pelo município. Em Araçatuba, por exemplo, durante todo ano de 2018 foram registrados 39 óbitos de crianças.

De acordo com a chefe de gabinete da Saúde, Aparecida Nava, o principal objetivo do programa é monitorar as gestantes do município para tentar garantir que elas passem por acompanhamento médico durante a gravidez, visando reduzir os riscos de complicações.

O trabalho é feito durante todas as fases da gestação e as informações são compartilhadas com toda a rede de atenção.

Profissionais

Cada uma das 19 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade tem uma profissional que atua como “anjo azul”. Elas também estão presentes no Pronto-Socorro Municipal, na Santa Casa e no Hospital da Mulher. Sempre que uma gestante procura atendimento de saúde em qualquer dessas entidades a informação é compartilhada.

Segundo Aparecida, caso a gestante procure atendimento médico no pronto-socorro, por exemplo, por qualquer problema de saúde, a UBS é comunicada e pode tomar as devidas providências.

“Com esse acompanhamento, a gente consegue saber se a gestante passou por atendimento de urgência e que tipo de problema de saúde foi diagnosticado”, explica.
Apesar de ser uma iniciativa municipal , o projeto “Azul” foi implantado com participação de toda a rede de atendimento.

Reuniões

Na manhã de ontem (26), as “anjos azuis” das UBSs participaram de uma reunião de avaliação do projeto. Esses encontros acontecem mensalmente, com o objetivo de compartilhar as queixas das gestantes e tentar melhorar o atendimento oferecido a elas.

A reunião foi coordenada pela enfermeira obstetra Andréa de Sales Cunha Pinheiro, que é a coordenadora do projeto “Azul”.

Ela explicou que a ação “Anjo Azul” foi implantada de forma piloto na UBS do bairro São Vicente, em outubro do ano passado. No mês seguinte, ele passou a ser estendido para as demais unidades de saúde da cidade.

A “anjo” que atua na UBS do Umuarama, acompanha em média 150 mulheres por mês, o maior número. No São José, por exemplo, são 80.

Desde que o projeto foi implantado, as “anjos” viraram referência nas unidades. Todos os dias recebem as fichas das gestantes que passaram pela unidade e, caso alguma delas falte a uma consulta, por exemplo, é feito o contato telefônico.

Caso a paciente não seja encontrada, a agente de saúde é informada e procura a gestante na casa dela para saber o que está acontecendo.

Muitas das profissionais que atuam como anjo trabalharam no Hospital da Mulher. É o caso da auxiliar de enfermagem da UBS do Iporã, Marilza Correia.

“A gente se sente muito feliz. Eu trabalhava no Hospital da Muher e acompanhava a gestante a partir do nascimento. Agora, acompanhamos a mulher desde o início, é um outro olhar”, comenta.

Treinamento

Nos próximos dias 2 e 3 de agosto, as anjos azuis passarão por capacitação sobre aleitamento materno.

A ação é promovida pelo Banco de Leite e serão oferecidas informações sobre o manejo e a abordagem às pacientes, já que o acompahamento é mantido 45 dias após o parto. “A ‘anjo azul’ é pessoa muito influenciadora nesse período”, comenta Andréa.

“É um trabalho de formiguinha, que vamos colher os frutos lá na frente. A gente vai colher os frutos, que é reduzir a mortalidade infantil”, complementa a coordenadora.

Convênio com a Santa Casa vai completar 2 anos

Em setembro completará dois anos que o atendimento às gestantes, incluindo os partos, urgências e emergências, foram transferidos do antigo Hospital da Mulher para a Santa Casa de Araçatuba.

A mudança teve início em 7 de setembro de 2017 e, na época, a Secretaria Municipal de Saúde informou que pretendia retomar o atendimento integral no HM em 6 de outubro, inclusive com novos serviços, o que não aconteceu.

Adaptações

O prédio passou por adaptações e desde outubro do ano passado funciona como um Centro Especializado de Atendimento à Mulher.

O serviço oferece serviço ambulatorial com realização de consultas, exames e procedimentos focados na saúde da mulher. Há atendimento médico e de equipe multiprofissional nas áreas de ginecologista, obstetrícia e mastologia.

Serviços

A unidade ainda realiza exames de mamografia e ultrassonografia das mamas e abriga o Banco de Leite Humano, que atualmente conta com 56 doadoras de Araçatuba e 17 de Birigui. “Temos programação para retornar os atendimentos referenciados em pediatria no local”, informa em nota.

Sobre o atendimento prestado às gestantes pela Santa Casa, a Prefeitura informou que o hospital vem atendendo ao convênio.

A administração municipal afirma que todos os casos de mortalidade são investigados pelo Comitê de Mortalidade Infantil e informa que os que foram registrados recentemente em Araçatuba estão em investigação. LJ

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