Empresário estourou porta de vidro do estabelecimento com a caminhonete e depois prensou a vítima (Foto: Reprodução)
A Justiça de Buritama (SP) marcou para 22 de outubro, a audiência referente ao processo de tentativa de homicídio que tem como réu o empresário Isac Alexandre Gaspar Pinto, 45 anos.
Segundo denúncia do Ministério Público, em agosto de 2018, ele tentou matar uma mulher ao prensá-la na parede de uma lanchonete em Buritama. O réu ficou foragido até ser preso em Rio Verde (GO), onde permanece recolhido.
No despacho publicado pela Justiça de Buritama, consta que a audiência será realizada por meio sistema Teams, que permite a realização do ato remotamente.
Gaspar Pinto tem a defesa feita pelo advogado Elber Carvalho de Souza, que entende que o atropelamento foi involuntário.
“Ele jamais teve a intenção de lesionar ninguém, muito menos ceifar a vida de qualquer pessoa e será demonstrada a inocência de meu cliente durante a instrução processual”
, declara.
O advogado informa que não concorda que o cliente dele seja ouvido por meio de sistema virtual e vai entrar com recurso no (TJ-SP) Tribunal de Justiça de São Paulo para reverter essa determinação.
“Quero que meu cliente seja respeitado conforme os regimentos constitucionais, em um julgamento justo”
, argumenta.
Caso
Consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público que na noite de 24 de agosto de 2018, o empresário estava com a companheira dele no estabelecimento pertencente às vítimas.
O casal ingeria bebidas alcoólicas e a companheira dele se desentendeu com outra cliente que estava na mesa ao lado ao lado.
Diante do ocorrido, o réu passou a discutir com a companheira dele e outras pessoas que frequentavam o local intervieram. Os dois deixaram o estabelecimento, mas continuaram discutindo na calçada.
Para evitar confusão maior, o casal dono do estabelecimento fechou a porta, que era de vidro, deixando os dois para fora.
Ataque
Alguns minutos depois, o empresário pediu que a porta fosse aberta para ele entrar na lanchonete, mas não foi atendido pelos comerciantes, que pediram que fosse embora para esfriar a cabeça.
Furioso, ele pegou uma pedra, gritou que entraria com a camionete no estabelecimento e foi buscar o veículo. Alguns clientes pediram que as portas fossem abertas para saírem e outros foram para o depósito, nos fundos do prédio.
Ainda de acordo com a denúncia, o empresário parou a caminhonete na frente do bar e arremessou uma pedra contra a porta do estabelecimento.
Prensada
Como o vidro não quebrou, ele pediu para uma testemunha retirar uma bicicleta que estava na sarjeta, acelerou e bateu com o veículo contra as portas de vidro, quebrando-as.
Em seguida, ele engatou marcha a ré e se afastou com a caminhonete. Os donos do estabelecimento saíram do prédio para tentar fazer com que o empresário parasse, mas ele acelerou contra as vítimas, prensando a mulher contra a parede com o veículo.
Quis matar
Para o Ministério Público, o réu agiu por motivo fútil ao tentar matar o casal de comerciantes, por tentar impedir que invadisse e destruísse o imóvel com a caminhonete.
A Promotoria de Justiça entende também, que o crime foi cometido com meio cruel e que ele utilizou meio que resultou em perigo comum, pois no estabelecimento havia várias pessoas no momento dos fatos que poderiam ser atingidas pelo veículo ou por estilhaços, sofrendo ferimentos.
Por fim, entende que o empresário utilizou recurso que dificultou a defesa das vítimas, principalmente da mulher, que não morreu por ter sido levada ao hospital. Ela permaneceu vários dias internada e foi submetida a diversas cirurgias e tratamentos médicos.
Caso a Justiça atenda o Ministério Público, o réu será enviado para julgamento pelo Tribunal do Júri.